Blog do Ronaldo

28.02.2007

a arte de estragar coisas






Escrito por ronas às 23h54

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para Caco e Rogério





jogo {verbete}

Datação sXIII cf. FichIVPM

Acepções
â– substantivo masculino
1 designação genérica de certas atividades cuja natureza ou finalidade é recreativa; diversão, entretenimento
1.1 atividade espontânea das crianças; brincadeira
2 (sXIV)
essa atividade, submetida a regras que estabelecem quem vence e quem perde; competição física ou mental sujeita a uma regra, com participantes que disputam entre si por uma premiação ou por simples prazer
2.1 competição desse gênero que implica sorte e azar, e envolve apostas em dinheiro, bens
2.2 passatempo (p.ex., as paciências, os quebra-cabeças, as palavras-cruzadas etc.)
3 (sXIV)
encantamento, magia
12 Derivação: por metonímia (da acp. 2).
conjunto de regras pelas quais se deve jogar
13 Derivação: por extensão de sentido ou sentido figurado (da acp. 2).
conjunto de condições, regras, convenções estabelecidas para determinada situação
Ex.:
15 Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
atividade que apresenta um ou mais caracteres do jogo especificamente [entretenimento, benignidade, possibilidade de ganhar ou perder] ( p.ex., jogo de palavras, jogos de espírito)
16 Derivação: por extensão de sentido.
qualquer atividade empreendida ou vista como uma competição que envolva rivalidade, estratégia ou comparação de desempenho
Ex.: os j. da política
17 Derivação: por metáfora (da acp. 2).
conjunto de procedimentos ou estratégias para atingir determinado fim; tática



dicionário Houaiss


Não encontrei nada sobre jogar controles no chão ou desistir porque se está perdendo.




Escrito por ronas às 23h49

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anti tédio


Mais cedo ou mais tarde você vai acabar participando de uma palestra, uma convenção, ou apenas uma reunião cujo teor seja ligado às finanças, ou algo chato do tipo.
Pois um cara muito esperto criou uma coisa que vai transformar esses momentos em prazer. Tá, mais ou menos. Acesse aqui a página.



Escrito por ronas às 19h23

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27.02.2007

conto fofo de merda


Tava eu caminhando pelo bosque quando cheguei a uma encruzilhada. Peguei a trilha da direita e um passarinho se aproximou dizendo: pega a outra trilha que nessa aqui tá rolando a maior merda. Obviamente ignorei esse pedido até porque passarinhos não falam. Uns 100 passos a frente algo atinge minha testa, passo a mão e é cocô do passarinho, que lá de cima grita: eu te avisei!!!



Escrito por ronas às 08h56

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foto do dia - ou da noite; sei lá




Berlin, dezembro de 1990



Escrito por ronas às 00h56

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26.02.2007




Todos nós sabemos da importância da alimentação nas relações amorosas, senão a gente não diria que gostaria de comer fulana, ou devorar sicrano. Não diríamos também que fulana é gostosa, ou uma delícia, nem que sicrano é um pão [tá, peguei pesado, essa gíria é do tempo que o Roberto Carlos tava vivo].
Vale ressaltar que toda pornografia da humanidade começou com a mordida na tal maçã, que, inclusive, mais tarde, ganhou o apelido de maçã do amor, apesar que devia ser maçã da putaria, porém isso é preciosismo da minha parte.
Bom, tudo isso é bem óbvio, mas razão dessa introdução é encher linguiça para dar uma dica de jantar romântico para você finalmente catar aquela fulana ou simplesmente agradar o sicrano do seu namorado. Não tem nada de linguiça na receita, porque essa é uma dica baratinha. Mesmo que não vá baratas na receita. Ok, não teve graça. Chega, vamos à receita.

Antrê - Torrade au mantègue flambê
Angrrandian: pão velho, manteiga.
Mode du fézerr: corte o pão velho em fatias. Depois pegue cada fatia e as esquente utilizando um isqueiro. Fósforo também funciona. Deixar as fatias ao sol idem, mas demora pra caramba. Quando as fatias estiverem marronzinhas, passe a manteiga.

Pratê principale - Omelet au yesterday flambê
Angrrandian: 2 ovos, restos da frigideira de ontem.
Mode du fézerr: Ligue o aparelho de som e coloque o cd dos Beatles que tem Yesterday; programe para repetir quando acabar. Coloque os ovos na frigideira com as sobras de ontem. Aqueça tudo utilizando o isqueiro. Ou o fósforo. Se demorar muito pra acontecer alguma coisa, quebre os ovos, isso deve acelerar o processo. Mexa tudo até a gosma amarelada ficar apenas uma coisa dura amarelada. E não esqueça de mudar de música porque Yesterday é chata pra caramba.

Bebide - Aguê ducerr au gèle
Angrrandian: Água, gelo, açucar.
Mode du fézerr: Coloque o gelo e uma colher de açucar num copo. Cubra tudo com água. Mexa utilizando a colher.

Sobrremèse - Sorbet au torrade flambê
Angrrandian: Restos de gelo e açucar da bebida da noite, torradas da entrada que não foram aproveitadas.
Mode du fézerr: Coloque uma colher de açucar sobre o gelo e coloque o gelo sobre a torrada. Com o isqueiro aqueça a base da torrada. Quando o gelo derreter totalmente é só servir.

Bon apetit et cuchê avec tuá!



Escrito por ronas às 00h33

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25.02.2007

serviço de utilidade pública


A lei diz que não parar para o guarda de trânsito é uma ofensa grave. Entretando, ser pego dirigindo bêbado é uma ofensa gravíssima, e a multa muito maior. Portanto, se você beber um pouco mais e a polícia pedir para parar, não pare!



Escrito por ronas às 22h25

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efeito bussunda 01




Jornalista é mesmo uma raça desgraçada.
A imagem acima chegou via e-mail. A manchete causou-me terrível espanto já que de cara fiquei imaginando a União Européia produzindo milhões de rolhas a fim de estancar a emissão de gases por parte dos humanos e, porque não, dos animais.
Depois vi que era uma bobagem qualquer sobre colocar rolhas nas estufas. Pobres plantas.



som: Innocent and Vain, Nico



Escrito por ronas às 22h14

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23.02.2007

seductio complicatum não est


Já dizia meu nobre amigo, Ramazel Postynosky, conquistar uma mulher é fácil, o duro é se livrar dela.

Reza a lenda que Postynosky dormira com mais mulheres do que Casanova, o que muito provavelmente ocasionou o assassinato violento do bom Ramazel. Esses dois cavalheiros, apesar de serem mestre e aluno, jamais se entenderam. Casanova nunca engolira o que dizia a lenda.

Postynosky, como o nome demonstra, era polonês, e era casado, muito bem casado, com a condessa de Lyztchaya, que além de lindíssima e gostosíssima, é proprietária de enormes pedaços de terra no leste europeu.
A maior prova de que Postynosky era um cara esperto é que ele convenceu sua esposa da necessidade física e psicológica de um homem transar com outras mulheres. E mais ainda, a fim de evitar o ciúme e a implicância da condessa, Postynosky fez com que ela participasse de todas suas puladas de muro, evitando assim ser acusado de manter relações extra-conjugais.
Postynosky lançou mais de 300 livros, hoje em dia todos esgotados, raríssimos. O exemplar que reencontrei na minha estante no sábado de carnaval, "Prztyzka Ab Hrztezneya Hoyendza" [ou "O Submundo das Calcinhas Onçadas", 25ª edição, Deyna-Lato, 1974], versa justamente sobre a frase de Ramazel que mencionei no início desse texto. E aqui, em primeira mão, faço uma tradução ipsi literis de algumas das idéias desse homem exemplar, que deixou como legado a clareza em relação a um tema polêmico até hoje, a "conquista do sexo frágil".

... "A complexidade feminina baseia-se no simples fato de que as mulheres têm por dia 75039 problemas inexistentes para ocupar seu ócio intelectual. Assim sendo, é inútil dizer a uma mulher que ela está linda, maravilhosa, magra, sensual, delícia ou grztzyna [não sei o que é isso quer dizer, mas deve ser bom]. Enfim, não adianta dizer nada disso porque nada se equipara a ter 75039 problemas inexistentes na cabeça. Por dia. Simultaneamente.
Portanto, e aqui reside toda a dificuldade na arte da conquista, resta ao homem fazer algo que vai totalmente contra sua natureza, ou seja, resta ao homem prestar atenção ao que a mulher diz.

Explico com um exemplo clássico. Se você entra num bar e vê uma mulher sozinha no balcão [faz de conta que estamos num filme], você obviamente vai se aproximar e se apresentar. Mas ao contrário do que muitos pensam, não comece a conversa com o tradicional 'o que uma mulher linda como você faz sozinha num lugar como esse?', pois, como já citei [capítulo IV], dizer que uma mulher está linda só vai deprimi-la. Não me pergunte porquê, e muito menos pergunte a uma mulher, pois isso vai deprimi-la ainda mais.
Mas então, ao se aproximar do alvo, pergunte o que ela gostaria de beber, peça o mesmo por mais doloroso que isso possa ser, e pergunte se está tudo bem. Óbvio que não vai estar, e isso independe do fato dela estar sozinha num bar. Ela vai começar a explicar porque não está tudo bem. E aí abre-se a brecha para a conquista de uma mulher.

Minha técnica é uma variação avançada dos estudos de Casanova [Fogliare il Pesce, Edizione di Roma, 1967], que dizia que 'na primeira hora de monólogo feminino, deve-se prestar atenção à conversa durante 10 minutos, e na seqüência ignorar por 5 minutos, prestar atenção 10, ignorar 5, e assim por diante. E na segunda hora, por motivos salutares, inverter a ordem, prestando atenção em 5 minutos, e ignorando 10'. Casanova dizia que nesses momentos de ignoradas, o importante era manter-se acordado, portanto valia pensar em qualquer coisa; na câmera de vídeo que você viu no shopping, no hino do seu time de futebol, nas kotchayas [coxas suculentas] daquela mulher que você viu na rua. Entretanto, como é sabido, Casanova obteve apenas 97% de sucesso em suas investidas, pois em alguns casos, a pergunta do objeto de desejo, 'o que você acha?', provocaram em Casanova meio segundo de krzyztnabya [um tipo de gagueira seguida de piscadas rapidíssimas de olhos], o que é fatal numa situação desse tipo.

Eu buscava a perfeição. Queria pelo menos 99,9% de sucesso. E assim surgiram os 'métodos de concentração Postynosky, opus 999k', onde os 5 ou 10 minutos de ignoradas são utilizados para pensar em variações mais interessantes sobre o tema o qual a mulher em questão discorre. Por exemplo, se a última frase dela antes do momento ignorável foi 'meu marido não me come mais'; mentalize que ela está louca pra dar, mentalize que ela está disposta a fazer qualquer coisa para mostrar o quanto ela é gostosa, e, por fim, mentalize que ela é a última mulher do mundo. Esse último item é fundamental pra que você ainda queira comer essa chata.
E quando ela perguntar 'o que você acha?', seja firme, convicto, diga apenas 'isso acontece'. A frase 'isso acontece' é extremamente eficaz para que a mulher sinta-se no dever de explicar que no caso dela não é assim, que ela é uma mulher diferente; o que rende pelo menos mais 5 minutos de papo furado, tempo suficiente para concentração nos peytchovics [peitos suculentos] dela enquanto ela sorve um gole de um drink prztyka [vermelho, ou avermelhado, dependendo da região da Polônia].

O momento mais delicado de toda essa operação acontece entre o quarto e o quinto copo de drink vermelho. Importante frisar que nessa altura do campeonato você já deveria estar bebendo cerveja, porque quatro copos de drink vermelho é coisa de bytchaya [boiola passivo].
Mas então, quando uma mulher pede o quinto copo de drink vermelho, é hora de mudar de tática, e isso pode ser muito simples ou muito complicado, depende só de você.
Use todas suas forças pra prestar atenção ao que ela está dizendo, e, ao primeiro sinal de 'o que você acha?', respire fundo, e quando a pergunta vier, não diga em hipótese alguma 'isso acontece', e sim 'eu concordo com você'. Isso é o suficiente pra que ela caia em seus braços.
Mas é fundamental que esse 'eu concordo com você' seja dito de forma convincente porque senão ela vai chorar, e se ela chorar, já era, melhor levantar-se antes dela cair nos seus braços. Isso mesmo, deixe-a cair no chão.


...


Nem tudo são rosas na floricultura. Há sempre o 0,01%. As mulheres são imprevisíveis, e vamos supor que por um milagre da natureza você se aproxime de uma mulher sozinha num bar, pergunte o 'tudo bem', e ela responda 'tudo ótimo' com um sorriso no rosto. É a eminência da desgraça total. Pois aí só lhe resta se perguntar 'que cazzo eu tô fazendo aqui?', pedir licença pra ir ao hrztynovya [banheiro limpo] e rezar pra ter uma janela ali".
...



Escrito por ronas às 00h00

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22.02.2007

fim de festa


Assim que terminou o desfile, enquanto uns abraçavam-se sorridentes e outros deitavam-se exaustos no cimento molhado, Leonor correu para o vestiário, pegou a bolsa, da bolsa o celular, e telefonou para casa. “Pai, foi demais, obrigada por me deixar vir, vou levar uma recordação”.
Depois do banho, e de trocar de roupa, Leonor juntou a fantasia em duas sacolas, abriu o guarda-chuva e caminhou para a saída do Sambódromo. Ali, logo no portão, encontrou uma senhora ensopada que pedia esmolas. Leonor vasculhou a bolsa, nem moeda encontrou, mas decidiu dar a capa dourada que cobriu parte de sua fantasia no desfile. A senhora se cobriu e foi pedir esmola para outro.
A caminhada até a casa seria longa e a chuva não parava. Leonor cruzou a ponte sobre a Marginal, contando as luzes dos carros que psicavam como vaga-lumes coloridos, de um lado do rio as amarelas, do outro as vermelhas. Lembrou-se das alegorias da sua escola de samba, do brilho da purpurina, das lantejoulas dos vestidos. Era o dia mais feliz de sua vida.
Do outro lado da ponte, em frente a um barraco de madeira, Leonor deparou-se com um homem tão negro como ela, tão negro que só lhe enxergava o branco dos olhos. O homem bebia de uma garrafa, sentado no meio-fio. “Menina de sorte, desfilou essa noite, ouvi o batuque daqui, tava muito bom”. Leonor tirou da sacola o cocar de penas e ofereceu ao homem. “Tome, uma lembrança”. O homem mostrou os dentes num sorriso. “Deus te abençoe”.
A esta altura a chuva começou a diminuir, e a luz do dia surgiu. Leonor andou toda a avenida Tiradentes até o Parque da Luz, onde foi abordada por um travesti maquiado em exagero. “Onde a mocinha tá indo toda faceira? E o que tem nessas sacolas?”. Leonor teve medo mas a luz do dia trouxera confiança. “Vou pra casa, levo sobras da minha fantasia de carnaval, é uma recordação para o meu pai”. O travesti se sensibilizou, porém insistiu, “Mas tudo isso? Não tem nada pra dar pra tia aqui?”. Leonor olhou a sacola, tirou de lá a parte de cima do biquini e estendeu a mão. O travesti soltou uma gargalhada. “Que ótimo, vai ser um sucesso”. Tirou a blusa ali mesmo e vestiu o sutiã.
No centro da cidade o comércio abria suas portas. O movimento era pouco, formado por limpadores de rua ou outros carnavalescos. Sob o Minhocão, Leonor deu de cara com uma criança de rua descalça. “Olha menina, fique com meus tamancos. E fique com essas pulseiras também”. Leonor sentia-se cansada, mas completa.
Ao chegar em casa, o pai esperava no portão. Leonor abriu mais uma vez a sacola e tirou o que restava, a calcinha do biquini. “A lembrança”. O velho arregalou os olhos sem poder acreditar. “Mocinha sem-vergonha, já prô seu quarto que hoje não tem televisão”.



Escrito por ronas às 10h10

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21.02.2007

cinzas






Escrito por ronas às 11h33

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19.02.2007

grandes diálogos do amor


O casal acorda, se aconchega e se acaricia. Sorrisos e risos e dengos. O homem faz cócegas na mulher, começa a brincadeira.
- Querida, você tá comigo por mim ou pelo meu pau?
- Ah, meu amor, pelos dois. E você? Tá comigo por mim ou pela minha bucetinha?
- Aff, que pergunta idiota.



Escrito por ronas às 12h58

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16.02.2007

short cut




E que você não tente me ultrapassar pela direita de novo...



Escrito por ronas às 18h20

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fragmentos de um discurso rancoroso




O bom e velho Nelson Rodrigues rogava; "jovens, envelheçam".
O sacana não é o único a achar que envelhecer talvez trouxesse um mínimo de pés no chão pra essa cambada em ponto de perdição; perdição essa comprovada em pesquisas recentes, que indicam que os jovens brasileiros não têm um ídolo sequer para seguir como referência, e sim celebridades em alta rotatividade, que usam para se espelhar. Naufragaram a ditadura e a censura, e junto com elas a utopia comunista. Morreram os Jims, os Jimis, os Ches; e aqui, a rebeldia de Caê e Gil foi substituida por uma Folha Ilustrada e uma pasta Samsonite recheada de papéis em branco. Fragmentos de Revista Caras, 15 minutos de estatueta na mão.
Mas Nelson Rodrigues não poderia ser mais cruel. Envelhecer é o que se deseja ao seu pior inimigo. Envelhecer encurta o tempo entre o sofrimento padrão e a morte. Só que esse tempo é regado a sofrimento extremo, nos mais variados formatos de tortura.
O dentista, por exemplo. Apesar de toda minha nóia em relação a higiene bucal, de repente achei que uma restauração havia caído, e pra encurtar a história não era nada disso e muito pelo contrário, passei por cirurgia e corta gengiva e corta osso, e a boca resolve chamar a atenção, exige seus 30 dias de "dedicação total a você", com direito a banhos de flúor e antibiótico e etceteras. Não dá pra comer direito, beber nem pensar, não dá pra trabalhar, transar, ver televisão, jogar videogame. Nem pensar é possível se fazer direito. Reina o mau humor e a falta de paciência com qualquer coisa que se mova. E algumas que nem se movem pagam o pato também.

Se de médico e louco todos temos um pouco, o dentista é sem dúvida o mais médico e o mais louco de todos nós. Tenho absoluta certeza que são sádicos no volume 10, visto que ao nosso menor movimento perguntam se está doendo, e à mímica afirmativa, ao mesmo tempo forçam ainda mais o local dolorido. Ou quando iniciam um monólogo sem réplica, pontuados por perguntas das quais só podemos grunhir respostas salgadas em brocas e sangue e espelhinhos e sugadores.



Hoje tive a prova maior do sado-masoquismo desses seres de branco. Meu dentista, que é também um grande amigo, cortou o dedo num estilete quase ao final da sessão. Eu ali, boca seca, vendo estrelas, ele me pede ajuda. O que, meu dEUS, imaginando que provavelmente ele solicitaria que eu desse uma anestesia no local, e ainda desse os pontos. Não, a anestesia ele deu ele mesmo. Os pontos demos em parceria, eu desmaiante da cor do avental dele.

Claro que jovens também vão ao dentista, mas a resistência é maior. Fora que o dentista do texto foi apenas pra justificar minha desgraça atual, justificar esse post e essas fotos. Existem coisas piores para os velhos do que sentar naquela cadeira e abrir a boca pra rezar o nhnhnhmmm.

Portanto jovens, não envelheçam. E escovem bem os dentes.



Escrito por ronas às 18h15

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15.02.2007

mirror mirror on the wall






Escrito por ronas às 20h47

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embargo


Madame Constanza convidou os amigos para a festa após a vernissage na galeria.
Na sala de estar, 10 pessoas sentavam-se em confortáveis poltronas dispostas em semi-círculo, e Madame Constanza ao meio, o centro das atenções. Entre os convidados estava Carolina, minha ex-mulher.
Ao primeiro vácuo de silêncio, Madame Constanza fitou meus olhos e começou a falar com sua voz de 7 champagnes: você deixou Carolina pra sempre, e deixou Nora em casa esta noite, mas seu maior crime foi ter roubado Ivone de Antenor.
Carolina desculpou-se, levantou e se dirigiu à porta. Tentei levantar também, mas os presentes impediram-me de fazê-lo. Vi que Carolina voltara para pegar o casaco, tentei falar algo e os convidados taparam-me a boca.
Carolina foi em direção à porta novamente, não sem antes mostrar a língua em repúdio.



2005



Escrito por ronas às 19h38

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14.02.2007

love love love story story story


Era uma vez um casal. Ele Copy e ela Paste. Se conheceram num texto romântico, então só podia dar no que deu: apaixonaram-se.
Logo de cara ficaram grudados, onde um ia o outro seguia atrás. Foram descobrindo seus corpos através da imitação dos gestos. Descobriram o sabor das palavras, o ritmo do sexo, o cheiro das noites.
Seguiam juntos por laudas e cartas e páginas e bilhetes. Às vezes curtos como números, outras em longos parágrafos.
Um dia Copy escolheu uma frase mas desistiu dela. Copiou outra e desistiu também. Apenas na terceira escolha é que Paste pode usufruir do prazer de estar seguindo seu amado. Paste ficou um pouco sentida mas achou que fosse uma fase, um momento passageiro.
Entretanto, a coisa se repetiu. Copy ficava cada vez mais indeciso com suas escolhas e Paste cada vez mais sozinha, mais distante do que desejava seu par.
Até que Paste conheceu Cut. Este sim tinha seus pensamentos totalmente voltados para ela. E Paste ficou dividida. Amava Copy por não ser egoísta e amava Cut por sua dedicação cega.
Paste alternava entre os dois, até que Copy descobriu a traição. Ficou enciumado. Brigou e ela brigou também. Chorou e ela chorou também. A situação ficou insuportável e Copy disse:
- É o fim.
Paste apenas confirmou.



2005



Escrito por ronas às 18h39

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os meus problemas #538490


Eu tinha um plano diabólico. Ia boicotar o Itaú encerrando minha conta lá. Aí eu li assim: Itaú amplia lucro em 14% e alcança R$ 6,2 bi em 2006.
Continuei no caderno de economia: Petrobras registra ganho de R$ 25,9 bi em 2006, mas analistas estão decepcionados.
Foi tudo pra panela: "Leitura de extrato bancário leva analistas econômicos ao suicídio coletivo. Banco cai na gargalhada".



Escrito por ronas às 10h44

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13.02.2007

outra daquelas


Há pessoas que vivem num mundo onde pneus não podem furar. Ou seja, acidentes de percurso são inadimissíveis.
A história que segue aconteceu com um amigo meu. Furou um pneu. Não o pneu do carro dele porque ele estava a pé, mas o pneu de um carro que passava perto dele. E o meu amigo resolveu ajudar. Foi lá, disse pra moça que se encarregava de tudo. Procurou o triângulo na bagunça do porta-malas e depois colocou-o na rua. E encontrou a chave de rodas e o macaco naquela bagunça. Depois soltou a calota, levantou o carro e desparafusou os parafusos. Enfim, trocou o pneu furado. A moça agradeceu e quando foi partir puf, furou outro pneu. Os dois trocaram olhares surpresos, meu amigo disse puxa, a moça disse pois é, e depois disse pra ele não se preocupar, ela ligaria para o marido e pronto, tudo estaria resolvido.
Meu amigo deu com os ombros e continuou a caminhar. Logo passou outro carro e puf, outro pneu furado. Imagine só a cara de espanto do meu amigo. Mas ele resolveu continuar em frente. E de novo, outro carro e puf, e mais outro e puf. Transeuntes paravam para olhar a fila de carros com pneus furados por todo percurso da caminhada do meu amigo. Chamaram a polícia, disseram: é aquele ali, basta os carros passarem ao lado dele e puf, furam pneus.
A polícia se aproximou e puf, furou o pneu do carro da polícia. Meu amigo foi levado pra delegacia - a pé. Foi julgado e condenado a prisão perpétua.

Moral: há pessoas que vivem num mundo onde os pneus estão sempre furando.



28 de janeiro de 2005



Escrito por ronas às 11h09

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10.02.2007

nosso mundo de cada dia




Alguém me explica?



Escrito por ronas às 14h38

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kama sutra




Posição do instrumento
Uma vez sentado sobre uma cadeira comum, coloca-se o pé esquerdo sôbre um tamborete de 15 a 20 centímetros de altura, e assenta-se a cintura do violão sôbre a perna esquerda, encostando o violão ao corpo, com leve inclinação do braço para cima.

Posição da mão direita
O antebraço direito apoia-se na quina do bojo maior, na direção do cavalete, de maneira que a mão caia sôbre as cordas, próximo da boca; os dedos devem-se manter curvos próximo das cordas, ou apoiados nas mesmas.

Posição da mão esquerda
O polegar deve apoiar a parte interna da última falange na parte inferior do braço do violão, na direção do primeiro trasto; os demais dedos curvam-se sôbre a trasteira, mantendo-se separados de maneira a alcançarem as quatro primeiras casas.

Maneira de ferir as cordas
No violão de acompanhamento, distingue-se as cordas em duas maneiras: as três primeiras cordas, as mais agudas, chamam-se harmonia e as três graves, chamam-se baixos.
Os baixos são postos em vibração pelo polegar da mão direita, articulando-se de cima para baixo, e as harmonias vibram-se simultâneamente com os dedos indicador, médio e anular, que se colocarão sôbre as cordas indicadas pelos pontos pretos pondo-as em vibração pelo escolher dos dedos.



Copyright 1958 by Tranquillo Giannini S.A. - São Paulo - Brasil
Todos os direitos autorais reservados




Escrito por ronas às 14h22

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09.02.2007

propagandas que esqueceram de fazer






Escrito por ronas às 14h34

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modus operandi


1
- Vai fazer alguma coisa.
- Não dá, tô ocupada.
- Fazendo?
- Tenho que preparar uma entrevista.
- Com quem?
- Uma cantora.
- Quem?
- Ela gravou uma música do Erasmo Carlos.
- Quem?
- Tem uns olhos verdes lindos.
- Quem?
- Tem filho, sim.
- Quem?
- Tchau, tô atrasada.


2
- Vai fazer alguma coisa.
- Não dá, tô atrasada pra preparar uma entrevista com a Rita Lee.



colaborou Lívia



Escrito por ronas às 13h58

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08.02.2007

the story of my life




Sábado furou o pneu do carro. Foi assim esquisito porque eu parei na frente do prédio, subi por 3 minutos, e quando voltei tava o pneu no chão. Fui de ônibus até a farmácia fitoterápica, depois trocar o pino do headphone, e finalmente um passeio com o Pneu, não o do carro, mas o labrador do meu irmão, que ficou comigo no final de semana.
No domingo troquei o pneu, não o cão, mas o do carro. Um bêbado da rua acompanhou o processo, dizendo que "alguém" teria que pagar por aquilo. Disse que não me ajudava porque não podia se abaixar e pediu uma moeda, que eu dei.
E como não encontrei um borracheiro aberto, ficou o pneu furado no porta-malas até segunda, depois da reunião da diretoria, na firma. Então na borracharia o borracheiro, enquanto chupava um sorvete de coco, consertou o pneu. Perguntei o tamanho do estrago.
- Pô cara, você não vai acreditar, um palito de dentes furou o teu pneu.
- Sério? - e aqui, num momento de iluminação conversadora - Mas você nessa profissão já deve ter encontrado coisas muito mais estranhas furando pneus...
- Schlééppp - isso é o barulho dele chupando o sorvete - Não, cara, essa foi a coisa mais estranha que eu já vi.



Escrito por ronas às 02h18

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07.02.2007

inferno astral


Tem dias que eu bem que tento mas não há como produzir alguma coisa engraçada por aqui.
Ontem recebi do cartão Smiles um daqueles e-mails com promoções especiais de aniversário. Entre as "ofertas" tentadoras eu poderia comemorar minha festa em hotéis 5 estrelas e ainda ganhar um upgrade de categoria no Smiles. Claro que este item vinha sinalizado com um asterisco informando abaixo que esse upgrade dependia de disponibilidade. Eu também tenho direito a 50% de desconto num hotel em Manaus.
Além disso, caso eu assine a revista Newsweek por um ano, ganharei 2000 milhas e 4 exemplares de graça. É ou não é uma pechincha. Bem, não informam o valor da assinatura, mas basta acessar um site da Varig realizar esse "sonho".
Mas não fica por aqui. Se eu adiquirir 1000 dólares de uma empresa de câmbio ganho mais milhagem. E se eu adiquirir um cartão de crédito Varig eu ganho um "sensacional" guia de viagens.

Francamente, uns presentões de grego.

Tá bom, eu não sou completamente ingênuo a ponto de acreditar que este tipo de serviço realmente vá te oferecer algo de graça, mas aqui estão passando dos limites. Primeiro porque recentemente recebi um e-mail da própria Varig onde basicamente eles colocavam fim na parceria com o Smiles, anulando minhas milhas. Depois que, pelo que eu sei, a Varig não é mais a Varig, e parte do caos recente dos aeroportos tem uma asinha deles, e não vai ser por esta empresa que faço minha próxima viagem. Aliás, nunca voei Varig.

De qualquer forma, no fim das contas, isso tudo parece uma piada. Smile.



continua...



Escrito por ronas às 11h23

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04.02.2007

exageros urbanos


Fernando Gabeira caiu na bobagem de dizer, numa entrevista para a revista Playboy, que "Em Brasília, se você sair à noite, terá de ir a lugares onde só tem lobista, puta e deputado". Meias verdades à parte, Gabeira é um ser muito decente e já se desculpou publicamente.





Já a Adidas gastou alguns chineses para produzir uma série de tênis que obriga seus usuários a declarar seu amor, via logomarca, por algumas cidades do mundo. Do Brasil foi escolhido o Rio de Janeiro, que, às vésperas do Panamericano, poderá se gabar de não contar com as competições de vela, em função do embroglio da marina da Glória. E de lambuja, ainda perderá o direito ao sonho de abrigar as Olimpíadas de 2016.
Eu acho que o Brasil tem muito mais com que se preocupar do que produzir eventos desse porte, onde o dinheiro público é investido, e muitas vezes desviado, para um uso restrito e de curto prazo. E acho 300 reais, em oferta, por um tênis desses, um absurdo.





Hoje a Revista da Folha nos dá de brinde um adesivo com a frase São Paulo, tudo de bom. A "brilhante" idéia do adesivo surgiu graças a uma pesquisa da Reader's Digest que diz que São Paulo é a 5ª cidade mais "gentil" do mundo. A hostess dessa "campanha" é a Regina Duarte.
Publicitários marketeiros desse naipe poderiam vir a público se desculpar, criando uma nova campanha, tipo, São Paulo é bom mas é uma merda. Seria uma meia verdade, mas nos sentiríamos mais decentes.



Escrito por ronas às 14h15

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01.02.2007

cone do silêncio


Caco Galhardo
to me, Ana

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11:00 am (56 minutes ago)
Tô meio fudido por aqui, temos gravação hoje às 20h30 e só vou conseguir
mandar pautas depois do almoço. Sugestões? Podem me xingar. Ana, tem Pand
News? Ronas, tem sessão mpb4?
bjs



Escrito por ronas às 12h00

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