Blog do Ronaldo

31.01.2007

grandes diálogos do amor


Após a trepada maravilhosa o casal extenuado se aconchega na cama. O homem deita de costas, esticas as pernas e cruza as mãos por trás da cabeça. A mulher encaixa seu sexo na coxa do homem, deita a cabeça em seu peito. Respiram ofegantes.
Passados 15 segundos assim, ela aproxima a boca do ouvido do amado e sussurra:
- Querido, eu te amo...
O corpo do homem sofre um tremor, ele empurra a mulher pro lado e diz com a voz alterada:
- Mas porra, o que foi que eu te fiz dessa vez???



Escrito por ronas às 11h43

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28.01.2007

coisas que me influenciam


A vida moderna não deixa tempo para a leitura de bons livros. Assim, aqui vão os resumos de clássicos da literatura que muito ajudarão a engrandecê-los culturalmente.

Guerra e Paz, Leon Tolstoi
Paris, Ed.Chartreuse. 1200 páginas
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro.

Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI ) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto.

Os Lusíadas, Luís de Camões
Editora Lusitania.
Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres.

Madame Bovary, Gustave Flaubert
778 páginas.
Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.

Romeu e Julieta, William Shakespeare
Londres, Oxford Press.
Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.

Hamlet, William Shakespeare
Londres, Oxford Press.
Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado.

Édipo-Rei, Sófocles
Tragédia grega. Várias edições.
Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta.

Othelo, William Shakespeare
Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho.



texto de autoria ignorada



Escrito por ronas às 14h03

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27.01.2007

retrato falado


Abaixo, carta do produtor Tadeu Jungle para a Folha de S Paulo, publicada hoje.

Publicidade
Olhei com curiosidade as propagandas que comemoravam o aniversário da cidade em 25/1.
Estranhei a da própria Folha, em que vemos várias páginas inteiras com pessoas lendo os vários cadernos do jornal. Ali há o slogan: "A Folha é o jornal mais lido do Brasil, porque é plural como você".
Só que essa pluralidade é apenas de brancos, magros, lindos e aparentemente ricos, que são os modelos que são registrados. Nenhum negro? Nenhum gordinho?
Pobres nem pensar. Caríssimos, esse mundo explodiu.



Não estou sozinho.



Escrito por ronas às 20h52

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luz del fuego




Está no ar o programa Fogo no Rádio desse sábado. O link tá aí do lado.
A maior novidade é que eu fiquei de chefe e pra variar não fomos tomar a tradicional cerveja no restaurante alemão, que é bem chato.
Pands e eu fomos jogar sinuca no Chalas.
Eu sou um chefe mais legal que o Caco.



onde foi parar a bola branca; aguarde

som
: desmentindo Caco Galhardo



Escrito por ronas às 13h45

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relatividade da hipocrisia lógica


homem = playboy
mulher = perua
playboy = carros
perua = sapatos

bicha = gosta de corpo de homem
bicha = domina a moda
moda = faz do corpo da mulher corpo de homem

homem = cerveja, uísque, dry martini
mulher = vinho
bicha = vinho
bicha = mulher

homem = futebol
mulher = culinária
bicha = futebol
bicha = homem

homem = rock
mulher = dance
bicha = dance
bicha = mulher

homem = Van Demme
mulher = Truffaut
bicha = Van Demme
bicha = homem

homem = Édipo
mulher = Electra
bicha = Édipo e Electra
bicha = homem = mulher



som: "Te Veux Ou Tu Veux Pas", Brigitte Bardot



Escrito por ronas às 13h19

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o bar de macho machista porra


- o que vai?
- porra, cerveja.
- porra, e eu vou saber?
- manda logo duas.
prrrrr
- caralho, peidou?
- que foi? vai encarar?
...
- viu o Silva?
- no banheiro vomitando.
- porra.
...
- Oliveira?
- fala Silva, que cara.
- porra, tava vomitando. A porra da batata.
- porra.
- porra.
- e cadê as muié desse bar? Hoje eu tô que tô.
- porra, aqui nunca teve mulhé. Você já viu mulhé aqui?
- não, porra. Por que será?
- sei lá porra, tudo louca.
- ah, vi uma jovenzinha aqui uma vez.
- lembro, filha do Junqueira, veio só entregar a intimação do juiz.
- porra. Jovenzinha é a porra. Andam todas pirilampas, madonnas do sexo que confundem beijo com penetração. Diz que já deu pra toda a turma, mas foge tudo na hora agá, te chamam de babão, que a gente só quer comer e talz.
- porra. Eu só quero comer mesmo.
- porra.
- pior são as mais velhas. Querem porque querem que a gente queira comê-las.
- porra. Velha não dá.
- dá sim, porra.
- não é isso, velha dá mas não dá.
- então é igual jovem.
- é.
- porra.
...
- e aí? Vamo catá umas mina?
- porra, pede mais uma bem gelada.
- duas?
...
- olha, não é a filha do Junqueira?
- ixe, mó gatinha, vem cá nenem, chupo toda.
- sentou na mesa do Souza. Eu, hein? O cara é nojento.
- porra, que mau gosto.
- porra, pede mais uma.
...
- Silva, ô, Silva, acorda.
- porra, babei.
- vamos catá umas mina?
- porra, num dá cara, a patroa quer que eu lave a louça hoje.
- porra, justo hoje? Eu tô que tô. Cadê ela?
- com as amigas.
...
- Oliveira, ô, Oliveira, acorda.
- porra.
- é tarde, vambora.
...
- ó, um bar novo, vamo vê, saidera, catá umas mina. Eu tô que tô.
- porra. Rápido, hein? Preciso lavar a louça.
...
- olhá lá, o Junqueira. Vamô lá.
...
- Helena? Você conhece o Junqueira?? Cadê suas amigas???
- Quieto. O que o senhor tá fazendo na rua numa hora dessas? Já lavou a louça?
- porra...



som: "Who do you love", The Jesus & Mary Chain



Escrito por ronas às 12h18

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desrotina utópica


dia 1
07:30 acordar e tomar café lendo jornais
09:00 natação
10:30 escrever ouvindo música
13:30 almoço bom e barato
15:00 siesta
16:30 praticar guitarra
18:30 lanche
19:00 cinema ou dvd
21:00 jantar
22:00 sexo
00:00 escrever
01:00 dormir

dia 2
07:30 sexo
09:00 lanche
10:30 siesta
13:30 cinema ou dvd
15:00 natação
16:30 escrever ouvindo música
18:30 dormir
19:00 acordar e tomar café lendo jornais
21:00 jantar
22:00 praticar guitarra
00:00 escrever
01:00 almoço bom e barato

dia 3
07:30 cinema ou dvd
09:00 praticar guitarra
10:30 siesta
13:30 acordar e tomar café lendo jornais
15:00 dormir
16:30 jantar
18:30 almoço bom e barato
19:00 sexo
21:00 escrever
22:00 lanche
00:00 escrever ouvindo música
01:00 natação

E assim por diante.



som: "Ivy", Screaming Trees



Escrito por ronas às 11h26

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resumos de filmes [0004]


O Iluminado

Escritor resolve mudar-se com a família para um hotel mal assombrado que fecha suas portas no inverno. Ele será o zelador enquanto pretende começar um romance. Sua mulher será a mulher do zelador, só que feia. E o filho único do casal conversa com seu polegar.
Quando surge o tédio, o homem conhece os fantasmas do lugar e, influenciado por estes, decide matar a família toda. Durante a perseguição todos acabam ficando com a cara do Jack Nicholson. O homem não consegue seu objetivo e termina congelado. Com a cara do Jack Nicholson.

Fim.



Escrito por ronas às 02h05

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resumos de filmes [0003]


Juventude Transviada

Adolescente vesgo muda-se com a família para Los Angeles, é preso, conhece uma garota na delegacia. De volta pra casa, descobre que seu pai gosta de se vestir de mulher e dá uma surra nele.
Na escola, ele reencontra a garota meio esquisita, pois queria beijar e transar com o próprio pai. A turma da garota não vai com a cara do vesgo e, depois de um racha que termina com a morte de um motorista, eles fogem junto com a bichinha da classe, que já tinha fotografado o vesgo, para uma casa abandonada.
A bichinha era toda problemática e quando chega a polícia ela sai atirando feito uma louca. Morre e todo mundo chora.

Fim.



por Antonio Albuquerque



Escrito por ronas às 02h04

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resumos de filmes [0002]


A Noviça Rebelde

Militar austríaco contrata noviça com fogo na perereca pra cuidar dos seus trocentos filhos (sua mulher morreu de tanto parir). Embora anti-nazista, o militar, pra não negar a raça, era um verdadeiro fascista no trato com essas crianças (na verdade tinha umas bem crescidinhas, outras bem chatas). Ela, a noviça, começa a cantar e vicia a família toda. Ninguém mais pára com a boca fechada. Chega o exército de Hitler e bota todo mundo pra correr. Eles vão embora cantando.

Fim.



por Antonio Albuquerque



Escrito por ronas às 02h02

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resumos de filmes [0001]


Conduzindo Miss Daisy

Negro com ares de babalorixá se emprega como motorista de senhora que é a própria mamma ídiche rica — domina o filho do útero ao túmulo e é a maior mão-de-vaca. Termina em um asilo, quase centenária.

Fim.



por René Ferri



Escrito por ronas às 01h59

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26.01.2007

a insustentável leveza do ser




A notícia bombástica do dia não vem do Iraque, da China ou do futebol. Não é o Ronaldo no Milan, nem o David Lee Roth voltando a tocar no Van Halen. Não é o David Lynch dizendo que a película morreu, nem algo relacionado com qualquer governo.
A notícia bombástica do dia não é nem uma notícia, mas sim pequenas pérolas coletadas pela repórter Luisa Alcantara e Silva, que cobre o São Paulo Fashion Week para a coluna social da Folha. Abaixo na íntegra.

Essa tal de sustentabilidade

A palavra "sustentabilidade", tema da atual edição da SP Fashion Week, tem dado um nó na cabeça de parte das modelos. Marcelle Bittar, 23, está cansada de ser perguntada sobre ecologia, reciclagem e desenvolvimento sustentável:

"Ai, lá vem vocês [jornalistas] com essa de sustentabilidade de novo... Bom, vamos lá!" Ela pára, olha para cima e, dez segundos depois, responde: "Acredito, porque sou superpositiva, mas não vai acontecer enquanto eu viver". Marcelle fala mais sobre a responsabilidade das tops em defender uma moda politicamente correta. Ela trabalharia para uma grife que explora o trabalho infantil? "Com certeza", ela responde. A coluna repete a pergunta: "Você desfilaria para uma grife que explora o trabalho infantil?". E ela: "Nossa, com certeza. Com criança, até de graça".

Nos bastidores do desfile de Alexandre Herchcovitch, a modelo Aline Weber, 17, diz: "prefiro falar de sustentabilidade no caso das modelos". Como assim? "Acho que sustentabilidade somos nós, modelos, termos que sair viajando sem saber nada do lugar, a ter que aprender a se virar sozinha desde cedo, sabe?"

O desfile já vai começar e um funcionário do desfile convoca Aline. Última pergunta: Você desfilaria para uma marca que usa crianças para fabricar as roupas? "Ah, se fosse uma marca boa, acho que tudo bem."

Mesma pergunta para a modelo Stefânia, 16. "Olha, esse é meu sexto Fashion Week e só agora comecei a ter mais visibilidade. Então, se fosse uma marca legal, eu faria, sim." Ela continua: "Mas, se usasse trabalho escravo, eu não faria, não. Trabalho escravo é meio punk".

Apressada para ir para casa depois de cinco desfiles, a modelo Viviane Orti, 16, não quis falar sobre o tema da semana. "Nem sei qual é." Sobre a proibição de menores de 16 anos nas passarelas do evento, ela diz que achou "uma boa idéia".
"Comecei com 13 anos, era muito nova, mal sabia o que "tava" fazendo. Sou super a favor." Para ela, a morte por anorexia da modelo Ana Carolina Reston, em 2006, só aumentou "o mito de que modelo não come".
Ela diz: "Nossa, eu como muito. Não dá nem pra acreditar!" Cardápio do dia? "Hum... Hoje eu comi dois pães de queijo." E nada mais, passando das 22h? "É, mas agora vou pra casa e vou jantar direitinho."


Desce o pano.


A Fe está cobrindo o SPFW, e ontem assistimos juntos ao programa que tinha os desfiles do dia. É deprimente. Roupas nada práticas, que ninguém usaria nem pra desfilar no carnaval, e um monte de teorias repetitivas sobre o conceito da tendência x. Modelos com cara de tédio [grande novidade] e ossos saltando pra fora da pele.
Fiquei com uma mini vontade de eventualmente ir ao SPFW fazer uma matéria sacanagem, ver uns peitinhos, mas depois do programa de ontem, e dos comentários das meninas, deu uma baita preguiça.


foto: Alexandre Schneider/UOL



Escrito por ronas às 13h12

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24.01.2007

com o que eu tenho que lidar






Escrito por ronas às 19h29

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23.01.2007

afinal, contas


o ciúme paranóico surge da possibilidade de um outro ter acesso a uma intimidade que achávamos ser exclusiva
blasfêmia! blasfêmia! berrou o da terceira fileira
mas é verdade, está escrito; nas estrelas, nas pequenas entrelinhas dos contratos com advogados do diabo
pois então, de novo, disseste, blesfêmea
fêmea??? tá vendo, seu porco, ato falho
nah, vamos, atire a primeira pedra
só a culpa salva
clichê
tá, só o alcoolismo salva
é pouco
só o adultério salva
bah
nada salva, não há salvação
ah, você tá estragando tudo
e você está olhando pras pernas da minha mulher
paranóico
filho da puta
quem mandou ela vir de shortinho?
não fui eu, não fui eu - gritaram todos
viu?
filho da puta
ciumento
cínico
bicha
péralá - e desceu do tablado

a turma do deixa disso se levantou
e um raio caiu do céu matando todo mundo



Escrito por ronas às 20h36

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a vingança do cavalo, resumo, caiu do cavalo


- cafés da manhã; pão italiano, presunto parma e queijo estepe. Café com leite escuro.
- trabalho; muito
- almoço; onde me levassem
- trabalho; mais um pouco
- jantares; pão italiano, presunto parma e queijo estepe. Cerveja.
- sobremesa; Toblerone
- trabalho; um tico mais
- e mais cerveja
- trilha sonora; "My Favorite Things", John Coltrane



Escrito por ronas às 14h47

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22.01.2007

torpedo


de: Pands
Eu to num bar tomando umas com a minha cachorra, mas ela não tá muito a fim de conversar. Pensei um tema pro rádio: irritando Caco Galhardo. Que tal?



Escrito por ronas às 15h08

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21.01.2007

a vingança do cavalo, days two and three




Muito já foi melhor escrito sobre as Grandes Galeiras, no centro de São Paulo, portanto serei breve. As Grandes Galeiras é o maior "ambiente" pop da cidade. É pop quando falamos em popular, com preços atravivos, e é pop quando falamos no que a juventude está ligada.
Música na veia, além de piercings, tatoos e acessórios, embora de gosto discutível, mas para todas as tribos, é o que atrai jovens de toda a cidade, e do interior também, para as dezenas e dezenas de lojas espalhadas por 4 longos andares. Cds, dvds, camisetas, tênis, bonés, bandanas, skate; praticamente tudo que você precisa pra se enturmar na escola, fazer sucesso com meninas e meninos, ou apenas ser "diferente".



Como eu devia um presente de natal pro Victor, meu sobrinho [à esquerda na foto], imaginei que um passeio com ele por ali seria um bonus. E como minha amiguinha Maria não pôde vir, seu substituto era um amigo de escola do Victor, que me foi apresentado como Tursi e que eu insistia em chamar de Tirso.



O que mais me impressionou nessa história toda é a quantidade de adornos que a juventude usa em seus corpos. Não que eu não soubesse disso. Mas ver ali explícito "conta" muito mais. Lembrei que quando eu tinha 18 anos coloquei meu primeiro brinco e meu pai deixou de falar comigo por pelo menos uma semana. E ganhei aquele folheto o qual já postei aqui. O Tursi, por exemplo, deve ter no máximo 13 anos e tem um "alargador" ou seja lá o nome, numa das orelhas. Do diâmetro de uma caneta esferográfica.
Veja bem, nada contra, estou apenas constatando um fato que pode até ser interpretado como a minha idade, mas obviamente há sinais de mudanças drásticas no comportamento humano.
Porém não vou me aprofundar em questões que fujam dos elementos visuais que complementam este texto. Não hoje.



Nas Grandes Galeiras as lojas expõe de forma até cruel o estado em que a sociedade de consumo se encontra. Se formos mais específicos, podemos ressaltar que falamos em termos de Brasil, São Paulo, etc; mas a verdade é que o mundo todo está assim. Somos uma periferia que importa valores. Mas não se desespere, há lugares piores.



Vivemos sob uma aura de ícones e signos. Nos entupimos de marcas que mascaram e desmascaram identidades. Quero dizer, ao procurarmos a liberdade em sermos "diferentes", geralmente acabamos por fazer parte de algum clã. E para alguns, não importa muito se o boné tem um pica-pau desenhado, ou uma caveira, desde que esteja style ou da hora, ou o que quer que falem hoje em dia. De novo, nada contra, ou totalmente contra, mas ainda assim é um reflexo da confusão que atinge nossos tempos, confusão que os adolescentes têm apenas uma parca idéia sensorial do que seja. Se eu, o "adulto", me perco em vielas talvez aceitando a existência da culpa, imagino um adolescente assistindo a adultos perdidos. Vivemos tempos estranhos. Será que Da Vinci algum dia, ao deitar-se, pensou isso. Vivemos tempos estranhos.





O legal das Grandes Galeiras é que, por causa do excesso, um olhar mais cuidadoso encontra detalhes novos a cada visita. Não foi diferente dessa vez. No meio do caos encontra-se sempre um sub caos, numa corrente infinita. A Moshi Moshi pode ser considerada a essência do caos dentro do caos.
Perguntei ao dono, cujo nome não sei, se ele conseguia se encontrar no cubículo com pilhas de brinquedos, cds, revistas, e uma tralha infindável de objetos de desejo para todas as idades. "Você acostuma. Quem vem aqui geralmente sabe o que quer. E eu sei tudo que tem aqui. O problema são os garotos [apontando para Victor e Tursi, que escolhiam 5 bottoms cada], que não se importam muito e jogam as coisas em qualquer lugar".




Após 4 horas, um boné, um shape de skate, dezenas de bottoms, e coisas que não sei a utlidade, finalizamos o passeio indo até a "minha" loja, que fica em outra galeria, menorzinha. Lá encontraríamos minha irmã, mãe do Victor.
Despedidas feitas, trabalho conversado, uma cerveja; e saí entupido de coisas pra variar. Não adianta, também faço parte do sistema, nada contra, ou totalmente contra.




Para compensar e completar o clima todo, a paz da volta pra casa no ônibus elétrico vazio, com o pôr-do-sol "vazando" através do Estádio do Pacaembu. Foi um sábado intenso.



som: "High Time Baby", The Greenhornes



Escrito por ronas às 23h20

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20.01.2007

a vingança do cavalo, day one


Resumo das anotações.
- Fe avisa que chegou. Está sol.
- Passei na banca de jornal. Comprei cigarros Parati e dvd "The Stones in The Park", show dos Rolling Stones no Hyde Park em 1969, dois dias depois da morte do guitarrista Brian Jones. Curiosamente havia alugado "Stoned", de Stephen Woolley, que conta exatamente essa história. Sessão dupla com Gisele?
- trabalho na firma. 3 reuniões.
- supermercado. Presunto parma e queijo estepe. Pão italiano. Um litro de leite. Uma garrafa de Montado, alentejano. 10 long necks Bohemia. Capelli de vitela e molho branco. Uma barra de Hershey's sabor Cookies'n'Creme. Uma fortuna.
- lembrar de ligar para Gisele
- Powerbook ligado.
- preparar sanduiche de parma e queijo. Esquentar o pão italiano no forno. Colocar os ingredientes au naturel.
- televisão ligada.
- segunda cerveja.
- só falta ligar o rádio

Aí uma hora você cai na real. A Gisele não vai te ligar.
Mas a Fe ligou, cansada. E eu fui um monstro com ela. E na real depois tentei assistir ao jogo do Brasil com a Argentina no sub-20, mas fiz alguma merda na televisão e não consigo desmerdar. Nem assistir.
DVD rolou. Vi o "The Stones in The Park". Sensacional. Vou escrever sobre no Atonal, que estou em dívida lá. Vai lá se quiser.



Escrito por ronas às 01h09

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19.01.2007

literatura ou gramática




Primeiro foi a Carol; me largou para cuidar dos mini nadadores. Depois foi a vez da Michele; me largou sei lá porque, não viu futuro, achava minhas piadas sem graça, não sei mesmo. Então a Grazi, uma metáfora de sargento, quase morri afogado. E vieram os feriados de final de ano e a Grazi nunca mais voltou. Deve estar torturando na base de Guantámano.

Eu não nadava desde novembro.
A Carol ficou com dó: passo a seqüência e você vai fazendo.
Hoje encontrei meu irmão na raia. O cara já cruzou o Canal da Mancha em uma semana. Tudo bem, foi numa competição lá na academia, mas cruzou, em sétimo lugar, com medalha e tudo. E tudo bem, os irmãos vão competir porque irmãos competem.
Tibum na água e a cada braçada o fôlego a distância. Reparo que o Rogério vira na borda como um Gustavo Borges. Paro pra respirar. Num certo ponto nos encontramos. Escuta, o que é tiro crawl? Numa outra passagem o cara tá nadando borboleta. Ah meu, desisto. Ele completou a série, 1800 metros. Não vou dizer quanto eu fiz.

A maioria das minhas roupas são doadas pelo Rogério. Ele nada melhor e é muito mais rico que eu. Mas eu falo melhor inglês. Fuck, I wish I was him.

Na saída encontro a Carol reunida com os outros professores.
- Fez tudo, fez o medley?
- Fiz quem???
- O medley; crawl, costas, peito, borboleta....
- Eu não sei borboleta, não quero aprender.
- Como não? Tem que aprender.
- Pra quê? Borboleta é que nem física, difícil, sofrido, e depois nunca mais você usa. Nem os físicos mais usam a física.
Nesse ponto todos os professores pararam de conversar e olharam pra mim. E descobri que natação também têm seus radicais ortodoxos.



foto: a série de hoje
som: "The Equaliser", The Clash



Escrito por ronas às 13h00

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a vingança do cavalo, ground zero ponto dois


6h15. Isso lá é hora de acordar pra ir entrevistar o gatão.

O taxi chegou. Mais uns minutos e levanto também. Pego o jornal, preparo café e levo tudo pra cama. Na primeira página a tragédia do buraco do metrô blablabla. Pra vender mais; mais uma foto de família chorando. Acho que isso vem aparecendo 3 dias seguidos.
Quando trabalhei no UOL, na época em que este ainda dividia o prédio da Folha na Barão de Limeira, lembro de um dia que cheguei à redação bem cedo e havia uma movimentação fora do normal para aquele horário. Na verdade - aparte; tem uma amiga que diz que sempre que ouve na verdade, sabe que vem mentira - então, na verdade o movimento da redação era alucinado. Havia caído o avião da TAM no Jabaquara.
Mais tarde, conversando com a Claudia Paz, que trabalhava no Folha Imagem, descobri que os jornais do Brasil todo, ao comprar fotos do acidente, pediam por "churrasquinho", ou seja, imagens de gente torrada. Francamente.

Mas isso não tem nada a ver com minha vingança.
Leio que Gisele Bündchen está no Brasil.
Prepare-se Fernanda, porque acho que tenho programa pra essa noite.



Escrito por ronas às 07h55

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18.01.2007

a vingança do cavalo, ground zero


Escrevo enquanto minha mulher dorme o sono dos justos. A filha da mãe se prepara para uma viagem de trabalho. 4 dias em Florianópolis. Entre outras coisas vai entrevistar um tal de Paulo Zulu, que dizem ser o maior gatão. E dizem que vou acordar com coceira na cabeça.
Ela vai ver só. Já tenho tudo planejado.
Como sempre tenho milhões de trabalhos pra fazer. E e-mails pra responder. E também um passeio com meu sobrinho e uma amiguinha ao centro. E dvds pra ver. Livros pra ler. E um almoço. E textos pra escrever. E uma festa de aniversário. E dormir.
Mas no resto do tempo tá tudo planejado.
Ela vai ver só. Vocês vão ver.



Escrito por ronas às 00h01

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drama 2




- Alô, o doutor Samuel está?
- Um momento.
...
- Sim.
- Doutor, sou eu, feliz ano novo.
- Oh, olá. Feliz ano novo pra você também. Como foram as férias?
- Muito bem, muito boas.
- E então, pronto pra encarar São Paulo, voltar pras sessões?
- Não doutor, eu ainda não posso voltar pra análise; eu não tô preparado psicologicamente.

som: "Worry, Worry", The Fiery Furnaces



Escrito por ronas às 18h47

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17.01.2007

merchandising

O ouvinte Marcelo Henrique, de Natal, Rio Grande do Norte, enviou o seguinte e-mail pro Caco.



Subject: Fã club em tempos modernos é via Orkut.
Queridos amigos Caco, Ronaldo e Ana,
Com todo Respeito ( viu Ronaldo ), sou fã mesmo desse programa, tanto é que fiz minha primeira comunidade no Orkut especialmente dedicada a vocês,

(Nome da Comunidade: Fogo no Rádio UOL )
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26400140

Ouço sempre quando estou arrumando meu quarto, que vira uma zona durante a semana... O bom mesmo é ouvir com a mente vazia, mas como não tenho Notebook pra ouvir no banheiro, fico pelo meu quarto mesmo.
Espero que o prometido email para o programa não tenha entrado nas suas promessas para 2007, pq aí não vai sair nunca.
Até breve,
Marcelo Henrique




Com todo respeito, obrigado Marcelo.



Escrito por ronas às 19h49

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mcHistórias




Dizem que as lojas McDonald's têm seus interiores naquelas cores porque foram feitos estudos que comprovam que ambientes em tons de amarelo nos abrem o apetite, e, por outro lado, quando estamos de barriga cheia, tais cores nos dão asco e vontade de sumir. É verdade. Experimente entrar num Mac depois do almoço.
O amigo Lain tem uma teoria que diz que tudo no Mac é feito da mesma matéria prima. Uma massa só; que se decantada, basta pingar anilina roxa que vira suco de uva. Fritou vira batata; congelou, sorvete. Some uma colher de caldo Knorr à massa e temos o maravilhoso hamburguer.
Há uns 15 [aff!] anos atrás, um outro amigo, o Carlinhos, fez uma viagem à China; naquela época o palhaço dos sandubas ainda estava se instalando no país. Daí que o Carlinhos foi comer um Mac, numa loja lotada, ele o único ocidental lá dentro. Quando se sentou, silêncio. Quando abriu a caixinha, todo mundo repetiu seu gesto. E assim foi, até ele jogar as sobras na lixeira. Dizem que na China foi o Carlinhos que inventou a batata frita colocada na mesma caixinha que o sanduiche.

Eu acho que o McDonald's é o único restaurante em que você tem que lavar as mãos depois de comer.



foto: pastel e caldo de cana, mil vezes melhor que Mac



Escrito por ronas às 19h08

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16.01.2007

uni duni tê




Mais uma catástrofe assola São Paulo, deixando-nos perplexos com a fragilidade da vida e do solo em que vivemos. Soterrados por notícias desencontradas, amplia-se o vasto leque de conversas de botequim. Quando há uma catástrofe no ar [no caso, na terra] até reuniões de família ficam mais interessantes. Ontem fui a uma dessas.

Depois de analisar os fatos e possibilidades e teorias sobre o "causo", cansada das voltas que dão em lugar nenhum, a família apela para o humor em questões como, o que você pegaria se pudesse tirar só umas coisinhas da sua casa?
Mencionei o laptop e os cds, mas outros, mais escrachados, trouxeram à tona coisas como o diploma do curso de corte e costura, o violão, o álbum de figurinhas da Copa; e o solteirão que disse que pegaria as calcinhas. Pois é.

Algumas das mulheres, com lágrimas nos olhos, pensaram nas suas roupas; outras, frustradas com seus armários, magina, menina, é a oportunidade pra comprar um guarda-roupas novo, e com o dinheiro de uma seguradora!!!
Papo vai, risadas voltam, a noiva soltou, ah não, eu ia pegar todos meus sapatos.
E o noivo cortou; mas sem o peso dos sapatos acaba a possibilidade da casa desabar.




PS: estou pensando seriamente em deixar meus cds numa mala perto da porta.



som: Epistrophy, Thelonious Monk e John Coltrane



Escrito por ronas às 12h06

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13.01.2007

drama


- Doutor, vou fundar uma banda emo.
- Que??? Tá louco?
- Claro, tô aqui, não tô?
- Ah é. Mas por que, meu caro? Emo não é bom.
- Eu sei.
- Então?
- Então nada.
- Ué?
- Ué o que?
- A banda emo?
- O que tem?
- Que você queria fundar.
- Não quero mais.
- Não?
- Não.
- Ótimo. Que mais?
- Eu vi uma banda emo fazendo cover do Queen?
- Que??? Mas isso é uma heresia.
- Eu sei.
- Que música era?
- Don't stop me now.
- Mas isso é música pra dançar em festa, emo não vai a festas, e muito menos dança.
- Eu sei.
- Precisamos fazer alguma coisa.
- O que?
- Vamos fundar uma banda emo que seja contra os valores emos. Com músicas para dançar em festas.
- O que, doutor, tá louco???
- Ué, claro, tô aqui, não tô?



som: Don't Stop Me Now, versão original do Queen



Escrito por ronas às 14h41

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simples assim


Quando comprei meu carro o aparelho de som dele já havia sido roubado. Tinha só aquele tradicional buraco com os fios saindo. E como meu carro dorme na rua, nunca coloquei nada para cobrir o buraco. Andava com os fones do iPod, correndo o risco de tomar multas, que, mais tarde, passei a evitar ao comprar uns auto-falantes bem mixurucas, à pilha.
Esses dias bateu uma louca e fui tentar descobrir como adaptar o iPod de forma que fosse possível ouvir as músicas nos auto-falantes das portas, que estavam ali, inúteis. E encontrei um troço chamado módulo de som, que foi instalado por 190 reais num lugar que ladrão nenhum vai perceber.
A beleza disso tudo é que ao instalar a bagaça, descobri que os auto-falantes de trás também funcionam. Agora preciso converter meu carro de 1.0 para 1.8, colocar uns aerofólios e voar muito, mas muito feliz.



som: Quatro Estações - Inverno, Vivaldi



Escrito por ronas às 14h31

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validade expirada


Até aqui todos concordamos que o Caco é um grandissíssimo de um cuzão por não continuar e finalizar o livro que temos em andamento há uns 25 anos. E por me negar publicar o dito cujo nesse blog. Esse tal de Chico Benton dele, além de orgias e bebedeiras sem fim, promete que esse ano vai terminar o livro. Quero só ver.
E digo mais, se o Caco me excluir deste espaço por estar falando estas verdades vai provar minha teoria. Pronto, agora ele não me exclui mais.

É um absurdo o homem ser obrigado a trabalhar só para satisfazer os desejos sem fim de uma mulher. Porque obviamente viveríamos facilmente com cds, cerveja e misto-quente, e quando a falta de grana apertasse poderíamos comer os cds.

Hoje lá na firma teve uma palestra de um diretor de criação holandês. Ele dirige as faixas da programação da KRO voltada para os públicos infantil e infanto-juvenil. Fora as produções em si, que eram muito bacanas, o evento me deixou deprimido. Enquanto o cara falava fiquei pensando nas condições de trabalho por aqui. Não é só a questão da grana para pagar nossos sanduiches de cds, é a mentalidade das nossas instituições que me preocupa. Vai durar só uns dois dias, mas é foda ficar deprimido por causa disso.

Minha prima Andrea, da qual falei pouco abaixo, confirmou, não é virgem. De acordo com o caderno de perguntas e respostas da quinta série, ela é sagitário. Diz também que a frase das idéias enroladas não é dela, e sim música, de Ana Carolina [quem?]. Ninguém é perfeito. Nem a Andrea, que é economista e tá fazendo pós em Minneapolis.

Jan Willem Bult, o tal holandês, tem produções premiadas no mundo todo, e veio a São Paulo a convite da Unicef, que está iniciando uma parceria com a produtora em que eu trabalho. O tempo todo ele falava em arrojamento em termos de programas televisivos, falava em buscar algo que fosse diferente do que já existe, falava em compromisso com o "seu" público. E fui me deprimindo, porque em geral isso vai contra o que a maioria das instituições brasileiras prega como regra, ou seja, vamos utilizar fórmulas existentes que deram certo e nosso compromisso é com o patrocinador. Não o público.
Tudo bem que o cara mostrou produções onde percebia-se que haviam umas 5 câmeras disponíveis, ou seja, grana de um estado rico, mas a maioria das coisas que vimos eram bem simples, apenas uma boa idéia e sensibilidade. Por exemplo, havia um programa de culinária para crianças, apresentado por crianças, não de 10 ou 13 anos, mas de 5, 6, ou seja, um caos. Divertidíssimo. E havia uma série em que uma das personagens principais era feia e cega. Ele apresentou essa peça dizendo que geralmente a tv vende um sonho que não é compatível com a maioria das pessoas. Bem óbvio. Mas ver uma "solução" para a questão na prática, sem ser piegas, me fez pensar bastante sobre o assunto.

Quando fui coordenador de uma oficina de sites no Projeto Aprendiz, que em príncipio era uma coisa super legal, pois colocava adolescentes de diferentes classes sociais para fazer sites para ONGs necessitadas, fiquei um tanto frustrado ao descobrir perto do final do "curso", que o que importava para os cabeças não era exatamente o processo de criação, e sim, o produto final. Atrasados para a entrega, fomos, eu e os outros designers profissionais envolvidos, obrigados a finalizar os produtos, a fim de cumprir o prazo, e é óbvio, satisfazer os patrocinadores. Por isso larguei o projeto.

A tese que minha prima está desenvolvendo visa saber se a teoria econômica é capaz de explicar o que leva algumas famílias a mandar as crianças para o trabalho, e outras famílias não. Ela compara famílias "parecidas", em renda, educação dos pais. E pelo que ela diz, até agora não há muito o que explique. Famílias pobres tem mais filhos trabalhadores; famílias rurais precisam dos filhos no campo; onde a escola é ruim, crianças trabalham mais; se a mãe trabalha, os filhos trabalham; e por aí vai.

É mais do que óbvio que parte da questão aqui envolve a educação, mas quem leu uma matéria da Folha esses dias viu que a maioria dos jovens larga a escola porque ela simplesmente não é interessante. Segundo a Andrea, a escola é de graça na teoria, mas não na prática. Eu diria que é de graça na teoria e sem graça na prática.
De qualquer forma, hoje em dia a questão do trabalho infantil melhorou muito no Brasil; em 95/98 eram quase 20% de pessoas com menos de 15 anos trabalhando, hoje em torno de 10% até 14 anos trabalham. A maioria em propriedade familiar, agrícola, e vão para a escola todo dia. E ainda segundo a Andrea, não é ruim a criança que trabalha com a família e vai para escola; ruim é criança que quebra pedra, que corta cana e sizal, que trabalha na carvoaria, e que além disso, não vai para a escola. Ruim é o caso de crianças que trabalham com coisas que comprometem o seu desenvolvimento físico, intelectual e psicológico.

A situação beira o insuportável/insustentável, daqui para o fundo o fim é mais rápido e sem volta. Por isso, mais e mais pessoas se envolvem com esses temas, mas não sabemos se é de fato uma preocupação como futuro, ou se é porque se acredita que crianças que não estão na escola estao tirando o emprego dos adultos. "Escolas" como o Aprendiz seriam a solução, não fosse o compromisso com o patrocinador. É claro que a qualidade do ensino é melhor com esses tipos de iniciativa do que sem, mas poderia haver um pouco mais de sensibilidade e fidelidade aos conceitos básicos de cidadania por parte dos cabeças.

A minha geração perdeu a esperança. A da Andrea ainda tem. Mas a geração depois da dela nasceu sem.
Ontem uma menina de 4 anos de idade foi detida pela polícia de Belo Horizonte, depois que ela acertou uma pedra num amiguinho da mesma idade. Tudo não foi mais que um acidente, mas a "infratora" teve que ir até a delegacia. Soa até ridículo, mas essa é a sociedade em que vivemos. Enquanto isso um suspeito de assassinato foge do país e o advogado dele diz que seu cliente não é culpado, apenas não acha que aqui ele teria um julgamento justo. Sei.
Enquanto isso uma mulher manda matar o milionário para ficar com o dinheiro. Se eu ganhasse na megasena, fundaria uma escola. Depois de viajar o mundo, claro.

Bom, meus amigos, se a gente falasse tudo que a gente pensa não restava ninguém vivo. É tarde, vou me preparar pra dormir que é final de semana de trabalho. E viva os sanduiches cds.



Escrito por ronas às 04h10

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trechos roubados

ale no país das maravilhas

once upon a time , havia um país onde a felicidade era doseada cuidadosamente pelas indústrias farmacêuticas.
a massa dos cidadão obedientes cumpria religiosamente as dosagens recomendadas.
algumas vozes afoitas denunciavam a manipulação das dosagens para satisfazer interesses comerciais e até políticos.
mas tudo seguia seu curso .

no entanto , com o passar do tempo alguns , insatisfeitos , clamando por mais felicidade , e não vendo esse desejo satisfeito pelos governantes que controlavam os farmacêuticos e as dosagens ,começaram a contrabandear as pílulas da felicidade.
tinham -se viciado em felicidade.
então acontecia que por vezes , nas ruas , as mães arredavam seus filhos para junto de si ,afastando -os de alguns fulanos que riam desbragadamente , ou tão só traziam nos olhos um brilho especial e diferentemente longínquo.
eram os viciados em felicidade.os maiores pecadores daquela tribo .




originalmente publicado por Ale em Torneiras de Freud, em 10.11.2003



Escrito por ronas às 04h09

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12.01.2007

lata light leda lux cof cof cof




A nóia é tanta que hoje em dia você pede uma Coca e automaticamente te servem a versão light. Quando eu peço uma Coca, peço normal para me garantir pois não bebo light. Também não fumo Marlboro, nem vermelho, nem light. Mas acho que essa inversão ainda não acontece no que diz respeito a cigarros.
Hoje vi numa padaria uma embalagem especial de Marlboro, em lata, compacta, com design estilo heavy metal. Comprei porque uma latinha sempre pode ser útil. E traz boas lembranças.
A embalagem fru fru parece aquelas versões bacanas de cds, com um envelope de cartão envolvendo a caixinha e o encarte. O encarte, no caso, é uma carta-resposta da Philip Morris, nos convidando para nos cadastrarmos e assim conhecer melhor o fantástico mundo do tabaco. O mais curioso é que há um espaço para colarmos uma cópia frente e verso de um documento, provando assim sermos maiores de idade e portanto aptos a receber informações sobre o produto. Entretanto, nunca ouvi um caso em que o vendedor perguntasse a idade do comprador. Eu mesmo, na infância, diversas vezes comprei cigarros para minha mãe.



Dentro da latinha os cigarros ficam todos organizadinhos, mas a parte de trás da embalagem tem impresso o Ministério da Saúde adverte, com as horríveis fotos, impossível de tirar. Tem que cobrir com um adesivo. Mas o que me levou a pensar nesse texto foi que na lateral da latinha tinha um adesivo com as informações sobre a quantidade de alcatrão, nicotina, e monóxido de carbono de cada cigarro. O adesivo cobria a mesma informação que estava impressa na lata, mas com valores menores. Explico; enquanto o impresso da lata informava 6 mg de alcatrão, o adesivo dizia 10. Das quatro uma, ou o designer da lata não checou as informações, ou passaram as mesmas de forma errada, ou o adesivo serve para diferenciar a versão vermelha da light. Ou tudo junto.



Já escrevi aqui que eu fumava o tabaco holandês Samson até pararem de importar ou trazer pra São Paulo [e aí, Adão, quando é que você vai trazer a pacotêra do Rio?]. Hoje sou obrigado a me intoxicar com um negócio chamado Parati, made in Bahia. Como também já disse, para suavizar os efeitos da pólvora do papel, enrolava meus cigarrinhos com versões mais natureba, em papel hemp ou arroz.




Na mesma padaria citada, comprei também umas sedinhas em celulose. Eu já sabia da existência mas nunca tinha visto ou experimentado. E de fato é uma coisa singular. Primeiro porque parece um plástico transparente, meio grudento. Você vê as entranhas do seu cigarro. Depois porque mesmo sentindo um plástico nos lábios, tragar não arranha a garganta, o cigarro fica muito mais leve e os 10 [ou 6 ou o que for] mg de alcatrão entram muito mais puros no seu organismo. Fora o nome, aLedinha, que entrega a procedência e o tipo de gente que decidiu comercializar essa maravilha no meio de toda a nóia, que me fez esquecer de como acabar esse post.



fotos aLedinha: www.aledinha.com



Escrito por ronas às 01h15

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11.01.2007

trechos roubados


o método %=&#$»@£§€!

se é verdade que as casas se parecem com quem as habita, eu e a minha casa somos almas gémeas .eu caos, casa caos.eu avariada , casa avariada.
primeiro foi a aparelhagem de cds.começou por fazer leitura selectiva.nick cave sim.jeff buckley não.
depois foi o frigorífico.eu tinha acabado de chegar de viagem e a casa parecia estar assombrada.era o congelador pingando .
nos últimos dias a máquina do café.
agora , o autoclismo está com o complexo de niagára.

mas , eis que do seio do caos, uma espécie de cosmos surge.
aqui ha dias um email testava a normalidade das pessoas.se o reultado fosse martelos vermelhos éramos uns simplórios , se não éramos loucos.nem preciso dizer que eu não sou um martelo vermelho.
ora , na senda dos martelos apliquei a velha táctica da murraça.
o autoclismo curou-se de sua neurosa megalómana .
o modem que estava a ameaçar sublevação rendeu-se à sua insignificância servil.
e até a aparelhagem , com uma pancadinha de encorajamento , voltou às boas com jeff buckley!

viva o pacifismo!



originalmente publicado por Ale em Torneiras de Freud, junho de 2003



Escrito por ronas às 02h41

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10.01.2007

conto erótico para a mamãe ler


Assim que sentei no último banco da Kombi encontrei Lola. Naquela altura não sabia seu nome, mas sabia seu cheiro. Lavanda Johnson's. Sempre me imaginei apaixonado por uma menina lavanda, pois achava Giovana Baby enjoativo, de Patricias e Gabrielas, nunca de uma Lola, por quem me apaixonei no primeiro dia de aula, ainda na Kombi.
Lola estava na janela e olhava displicentemente o jardim da minha casa. O que ela achava? Perguntei. Você tem anões no jardim, que cafona. Essa Lola, francamente, nem mulher era, quiça menina era, e já procurava defeitos. E pela primeira vez na vida murmurei mulheres, bah.
Nessa mesma hora Lola encostou suas coxinhas gordotas nas minhas e retirei o mulheres, bah. Quero dizer, não sei se retirei porque alguma coisa saltitou e me confundiu. Acho que foi, que vergonha, meu pintinho que saltitou. Sei lá, alguma coisa saltitou e foi lá. Corei. Lola disse você é tão vermelho e corei mais.

Na hora do lanche sentei-me afastado do grupo. Não queria esconde-esconde, não queria pega-pega; queria observar Lola e comer meu polenguinho. Aí a bola da queimada veio em minha direção, me levantei e fui chutar e escorreguei e fui deleite para todos. Amiguinhos cruéis, insensíveis; menos Lola, que se aproximou e estendeu a mãozinha, lambuzando-se no queijo que se espalhou por mim na queda. Eca. E riu.

Todos os dias sentávamos lado a lado na Kombi, coxinhas roçando; e dividíamos nossos lanches no recreio. Aos poucos fui descobrindo minha amiguinha. Ela já não fazia xixi na cama há 4 anos. Uau. Era mesmo muito madura, Lola. Contava até 10 em inglês, e também dançava balé e capoeira nas aulas complementares.
Capoeira meu pai até deixou, mas balé ele pediu para esperar um pouco, para juntar dinheiro. E também falou alguma coisa sobre esperar para ter certeza de que era realmente o que eu queria. Meu pai piscou para minha mãe. Não entendi.

No final do ano a bomba. Lola iria mudar de escola. Iria mudar de cidade, de país. Meus pais riram muito quanto perguntei vamos mudar para o México? Na terceira vez não riram mais, e me levaram para conhecer o tio Samuel, meu analista até hoje. Ou quase isso, porque não sei mais, já conto.

Então que no último dia de aula, no recreio Lola me chamou para perto do bebedouro, que ficava atrás dos banheiros, num jardim que eu nunca havia prestado muita atenção. E não foi dessa vez que reparei pois que quando cheguei Lola puxou-me pela mão, colou em mim a camiseta das Superpoderosas e tascou-me um beijinho no rosto.
Talvez tenha durado 1 segundo, talvez nem tenha realmente acontecido. Mesmo assim nunca mais esqueci aquele momento. Até hoje.

E não é que encontrei Lola no supermercado. Gordíssima, coitada. Tomamos um café, falamos dos filhos [dela], do marido corno [dela], da viagem de navio [dela]. Caralho, como essa Lola fala. Escuta, você lembra quando me deu um beijinho perto do bebedouro?
Hahahaha, aquilo? Aquilo era uma aposta com a Claudinha.... Lembra da Claudinha? Parece que ela tá.... Me despedi que eu tava atrasado. Dispensei Lola. E amanhã cedo acho que dispenso o tio Samuel também.



som: "Naked Eye Mix", Luscious Jackson



Escrito por ronas às 21h11

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título só pra constar


Em teoria o ser humano vive na prática o dilema da teoria e da prática.
Enquanto em teoria até aceitamos algumas falhas de caráter, na prática nos consideramos seres acima de qualquer suspeita, sempre crentes no bem causado por nossas atitudes. Talvez devesse ser o contrário, mas não é.
A verdade é que nossas teorias são barcas totalmente furadas e ao não levar a sério a prática, nunca aprendemos porra nenhuma e continuamos a teorizar barcas furadas. Como aqui agora.
Por outro lado, se não fossem as teorias nossas vidas seriam muito mais entediantes do que já são. Eu, por exemplo, em teoria já comi a Gisele Bündchen.
Sem teorias, muitos de nós ainda seriam virgens. Outros de nós, aliás, só perderam a virgindade em teoria.

Minha prima Andrea, que suponho não ser virgem, deixou uma mensagem que não sei se era letra de música ou se ela tinha inventado. De que adianta seu cabelo liso se suas idéias são todas enroladas. Algo assim. A Pands, que não é virgem mesmo, completa, precisamos de chapinha nas idéias.
Em teoria odeio gente. Se der tudo certo, passo o próximo ano novo no zoológico. Fazendinha não, porque dizem que um entre cada dez carneiros são homossexuais. Mas já assisti um programa que mostrava até leões em relações homossexuais.
Esses paparazzi de animais. Ninguém respeita mais porra nenhuma. Cientistas ingleses estão fazendo pesquisas visando eliminar a homossexualidade dos carneiros. Ah, porra. Por isso odeio gente.

Mas comer a Gisele Bündchen foi muito bom.



som: "Beyond & Back", X



Escrito por ronas às 11h46

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08.01.2007

tudo nada a ver


Ontem na Folha, Danusa Leão, que sei não, falava sobre o envelhecimento e a consequente dependência de terceiros para levar a vida. Danusa versa sobre a injustiça divina que é você sofrer fisica e psiquicamente o avanço da idade. Menciona ainda que se é para usar uma cadeira de rodas, que seja elétrica. Claro, Danusa, esse sim é um direito divino.
Ontem mesmo um portador de deficiência física, que ganhou 51 milhões na mega-sena em 2005, reage a uma tentativa de assalto e toma 5 tiros na cara. Ele tinha 54 anos, usava um quadriciclo para se locomover, e se chamava Renê Sena, como a mega.



Escrito por ronas às 09h31

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07.01.2007

coisas que eu encontro pela frente




A loira do banheiro, um tanto envelhecida, sai às compras.



Escrito por ronas às 14h19

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coisas que NUNCA vou encontrar pela frente




Claudia Cardinale pronta pra um pom pom



Escrito por ronas às 14h18

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trechos roubados


laranjinhas!

adorei a estética das minhas pastilhas da sinusite.forma cilíndrica , levemente achatada , lisas , sem qualquer inscrição .textura suave.e a cor !ah! , um laranja depurado , nem demasiado berrante , nem demasiado apagado.
odeio comprimidos brancos , sem graça .comprimidos lindos são os coloridos .há uns cor -de- rosa , giríssimos , acho que são um analgésico.
os comprimidos redondos também estão fora de moda .demasiado óbvio.esses são os benurons , os ilvico e todos os parecetamóis .são a plebe dos comprimidos .convencionais , com medo de ousar e chocar a opinião pública .

para quando prémios de design aplicados à farmacêutica?




originalmente publicado por Ale em Torneiras de Freud, em novembro de 2003



Escrito por ronas às 14h04

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cheap trick




Você não deve ter percebido, mas comecei a colocar nos posts a música que tocava no momento em que escrevia, ou ao finalizar o texto. A idéia é entregar um pouco mais do processo da escrita, e principalmente exibir a variedade de músicas do iPod. Entretanto, considerando o uso do shuffle, o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Como eu já disse anteriormente, um iPod é uma coisa extremamente pessoal, como uma cueca, e o uso do shuffle pode nos deixar numa situação constrangedora, como se um dia eu saísse com uma cueca de bolinhas vermelhas e sofresse um acidente. Imagina uma médica me vendo de cueca de bolinhas. Nem quero pensar. Não pense você também.

Antigamente, para efeito de mistureba, eu colocava as músicas em ordem alfabética, mas volta e meia acontecia de tocar 3, 4 vezes a mesma música, em versões de artistas diferentes, ou ao vivo, sei lá. Então comecei a selecionar a função time, ou seja, as músicas são ordenadas pelo tempo de duração. Isso é muito bacana porque, além de poder escolher se quero uma sessão de 3 ou 4 minutos, também acabo descobrindo similaridades de tempo entre canções nada a ver. Por exemplo, você sabia que "Tardes em Lindóia", da Angela Maria, tem o mesmo tempo de duração que "Stop Breathing", do Pavement? E que "Ugly Sunday", do Mark Lanegan, tem 3:56, igual a "El Mandil De Carolina", do Radio Tarifa? Isso não é mesmo super importante? Não? Bom, cada um com a sua mania, certo?

De qualquer forma, tenho um truque muito bom para não passar vergonha aqui. Pelo menos não mais do que eu já passo. É muito simples; na hora de finalizar o texto, se está tocando uma música infeliz qualquer, basta dar um forward para a próxima, até aparecer algo menos embaraçoso. Outra possibilidade é só pensar numa música que você gostaria de ouvir no momento e encontrá-la e pronto. O problema é que, que nem agora, eu fiquei afim de ouvir "Feiura não é nada", com Dolores Duran.



Escrito por ronas às 14h01

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vida de menino


- Moça, tem xampu pra homem?
- Os xampus estão naquela prateleira.
Peguei o primeiro que vi.
No banho, na hora de ficar só curtindo a água quente, resolvi ler o rótulo do xampu: Uma mulher fabulosa merece cabelos fabulosos.

Ora pois, se merecem.


originalmente publicado em o caos sem mambo, em outubro de 2005
som
: "Boredom" - Buzzcocks



Escrito por ronas às 13h12

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e o fim continua


Talvez o maior problema da revolução sexual feminina não seja o fato do homem perder dinheiro no mercado de trabalho, nem perder a masculinidade em compras no supermercado, e sim calçar pantufas e ter que assumir o medo das baratas.
Siga o meu raciocínio. Se antigamente ao primeiro grito da mulher o homem esquecia a preguiça e provava a macheza levantando da poltrona, sacando o chinelo e esmagando o monstro, hoje em dia, essa árdua tarefa passou a ser dividida entre o casal, e o homem assumiu a preguiça que disfarça, na verdade, o medo desse bicho asqueroso que é a barata.
Minha namorada, por exemplo, depois que mata uma barata, lava toda a louça, e se tivesse mais tempo, lavava os ármarios, a geladeira e o fogão. Eu, por outro lado, já escrevi um post chamado vida de menino que era assim:
Tava no banheiro e vi a barata. Peguei o tênis e esmaguei a bicha. E fui cuidar da vida.
No dia seguinte já havia umas formigas em volta do suco de barata.
E outro dia seguinte só sobrou uma casquinha quase invisível.
Tá lá ainda.


Toda vez que vejo uma barata lembro que esqueci de comprar detefon no supermercado. O fato é que eu só tomo uma atitude em situações radicais. Hoje por exemplo, fui pegar as pantufas no ármario e caiu uma barata de dentro de uma delas. Tomei um baita susto, mas como o bicho ficou ali estático, tive tempo e frieza para pegar um outro sapato e acertá-lo na mosca, no caso, na barata. Com o impacto imaginei que ela fosse grudar no chão e mais uma vez eu esperaria a ação das amigas formigas, mesmo considerando que estas moram no banheiro e não no meu quarto. Mas a barata não grudou no chão e sim virou de ponta cabeça, com as perninhas mexendo freneticamente. Era a hora do detefon que não tenho ou do sadismo humano natural de deixá-la ali até o fim, correndo o risco dela conseguir desvirar e, mesmo manca, me atacar durante a noite. Não tive dúvidas, nesses momentos a solução se encontra no armarinho do banheiro, e dessa vez fui muito eficaz. Duas gotas de Listerine acabaram com nossa agonia. Minha e da barata.

Continuo me perguntando sobre essa ação do Listerine. Como é que pode fazer bem pro homem um líquido cheio de alcóol que extermina uma barata em 3 segundos. Não sei, mas a barata continua deitada lá no chão, aguardando as formigas.



Escrito por ronas às 13h02

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04.01.2007

merchandising


Urgh! A Musical War, no Atonal.



som: Back in Flesh, Wall of Voodoo



Escrito por ronas às 02h32

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03.01.2007

diário de bordo vertical







Passa Quatro, Minas Gerais, dezembro de 2006
som: "False Skorpion", Pavement




Escrito por ronas às 00h47

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diário de bordo horizontal








Passa Quatro, Minas Gerais, dezembro de 2006
som: "W.C.S. (First Draft)", dEUS




Escrito por ronas às 00h39

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paradigma


1
Nossa, o que houve?
Estávamos na estrada, uns 120 por hora, quando dois carros se aproximaram por ambos os lados. Os caras sacaram as armas. Acelerei. Os caras atiravam enquanto um dos carros batia na minha porta tentando me jogar pra fora da pista. Perto do posto policial eles desistiram e fugiram por uma estrada de terra.
Nossa, mas amaçou feio, hein?

2
Nossa, o que houve?
Não vi uma pilastra no estacionamento do shopping.
Nossa, mas tu é barbeiro mesmo.



som: "Drunk in my Past", X



Escrito por ronas às 00h17

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pequeno tratado sobre a sociedade que não entende picas



Se de médico e louco todo mundo tem um pouco, também somos muito inteligentes; ou somos muito burros. Com meu olhar capitalista burguês paulistano, pedalando pelos fins de mundo desse brasilzão afora, desembaço os dogmas. À primeira vista o pitoresco. Fotografo. Depois algo próximo da escórnia, afinal, o picadeiro construído no terreno informa que é a Cia de Rodeio e Tourada Jaguaré Mama Country Fest Show. E não dá pra não rir do Chevette que roda a cidade informando a próxima atração. Patético, não?



Pois bem. E eu aqui, cigarro na boca, escrevendo textos sem nenhum sentido sobre assuntos que não me sinto no direito de julgar. Patético, não?



som: "Good Morning Blues", Leadbelly



Escrito por ronas às 00h01

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big sister is watching over me


O torpedo mais absurdo que recebi no final do ano, aliás, o torpedo mais absurdo de todos os meus anos, foi-me enviado por Aparecida a 30 km, e no corpo da mensagem se lia Aparecida a 30 km.
Interpretação livre.


som: "Miles Away", Yeah Yeah Yeahs, ao vivo no Peel Sessions.



Escrito por ronas às 23h05

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trechos roubados 2


saturday night fever ( versão alternativa, em vez dos famosos guinchantes bee gees ,teremos rui veloso ,em sei de uma camponesa)


acordo depois de uma overdose de atum.sonhei que era peixe,um querido e jovial atum, e vivia numa piscina olímpica.eu era o atum de estimação de ian thorpe e vivia alegre e despreocupado, lá para as bandas da austrália.
a minha vida corria bem ,até ao dia em que uns publiciários malvados quiseram usar a minha imagem e a do famoso nadador.venderíamos a imagem do atum saudável ,e as crianças pediriam às mães aquela marca de atum , para serem campeões olímpicos ,como ian thorpe.
então lá sou eu tranpostado num mini -aquário ,ínfimo apertado.ora , como todo o psicanalista sabe, o terror de qualquer atum é sentir-se enlatado .
chegamos à agência de publicidade e aquela gente mefistofélica atirou -me lá para um canto ,enquanto maquiavam o ídolo do mundo aquático .fiquei ali horas ,mas suportei a canseira como memória dos doces anos em que cresci e ajudei a fazer o mito ian thorpe.
até que finalmente chega o master ,a cabeça ,o engenheiro da campanha , olha para mim e diz:
corrore,mas este atum não tem uma imagem nada saudável .isto não vende .márcia,queridíssima, que toleira é esta?
márcia ,a queridíssima,era uma moça muito colorida ,com muitos papéis na mão e que parecia cuidar em exclusivo dos achaques do director.
senhor director , esse é o famoso atum de ian thorpe...respondeu a queridissíma márcia.
não me interessa quem seja ...podia ser a lassie .não quero este atum ,este atum não vende.márcia ,onde pôs o meu cd preferido ?
o daquele cantor português , rui veloso , senhor director ?
sim , esse mesmo ,ele é que não quer vir aqui fazer uma tournéé,ele na austrália era um sucesso .ponha aquela música da camponesa.fico tão inspirado quando a ouço ...márcia , queridíssima , não está na hora de trocarmos de meias?acho que agora vou querer meias de cor verde ,sim? cansei destas azuis .ouviu ? e despache-me esse atum para o matadouro dos atuns.



e a última imagem do meu pesadelo era euzinha , na versão atum ,a ser alvo da cara em fúria de um japonês.
e acordo gritando : não, eu não sou um atum !eu não sou um atum !eu não sou um atum !




originalmente publicado por Ale em Torneiras de Freud, em 15.11.2003



Escrito por ronas às 01h36

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02.01.2007

histórias de solidão




O homem deitado na rede em sua varanda observava o jardim, quando os arbustos começaram a caminhar. Aproximavam-se lentamente como, num sonho, todos os arbustos se aproximam. O homem esfregou os olhos e quando os abriu, viu que o maior arbusto do jardim estava à sua frente.
- Bom dia homem. Sou o representante dos arbustos do jardim. Decidimos que queremos conhecer o mundo, portanto, venho solicitar que o senhor abra o portão.
O homem não se espantou com o arbusto-líder falando, mas sim com o fato das plantas quererem ir embora, afinal, banhava o jardim com água fresca todos os dias, além de servi-las o que de melhor havia em termos de adubo.
Mas fazer o quê, as plantas queriam ir embora, que fossem, o amor dele era daqueles impossíveis, e a felicidade das plantas era a sua felicidade.
Então o homem decidiu levá-las a um bosque longínquo. Não suportaria ver uma de suas amadas atropelada na vizinhança. Ou mesmo instalada em um jardim que não fosse o seu. Assim, colocou os treze arbustos rebeldes no porta-malas do carro e partiu.
Ao chegar ao bosque, nem bem estacionou, as plantas saltaram do carro e caminharam. Algumas em passos mais apressados, excitados, eufóricos. Outras mais lentamente, como se aprendendo o terreno. No entanto, todas andavam sem rumo, em todas as direções.
O homem suspirou e entrou no carro. Deu a partida. Nesse momento o arbusto-líder voltou-se para o som do motor.
- Homem, eu quero voltar com você.
Mas era tarde demais. Pelo retrovisor, o homem via apenas poeira e céu.


julho 2004

foto: Vila Romana, março de 2003
som: Junk Bond Trader, Elliott Smith




Escrito por ronas às 15h58

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