Blog do Ronaldo

27.12.2006

fim reloaded


Pinochet foi para o saco, Fidel nas últimas e Saddam condenado. Uma geração histórica que aparentemente não deixará herdeiros. Esperança? Sei não. Sei que James Brown fará mais falta.

Vou abraçar uma árvore e volto dia 3. Boas entradas para todos.



Escrito por ronas às 00h34

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26.12.2006

fim de ano [versão stoner]





ho ho ho A essa hora a sétima melhor coisa do mundo é esse bolo de chocolate com recheio de amora. Um cortejo de motocicletas passa pela Sumaré 8 andares abaixo. No volume 9 dos fones o Queens berra o cover de Back To Dungaree High, do Turbonegro. I didn't mean to turn you on, no way.

Esse caos dos aeroportos se resume numa coisa: nem às férias mais se têm respeito.

Cinismo a gente aprende nos clássicos. Como é que pode alguém falar mal do Natal depois de ganhar um aparelho de dvd de presente. Vou poder assistir a coleção toda. Primeiro Fahrenheit 451, do Truffaut. Depois o show do Jeff Buckley em Chicago. Depois Dead Man, do Jarmush. E depois ainda vou escolher. Até já.


foto: Desert Sessions



Escrito por ronas às 01h34

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25.12.2006

antes e depois


apartamento 32
O edifício era pequeno, daqueles sem elevador, as escadas dando diretamente para as portas, que ficavam frente a frente.
No terceiro andar moravam duas senhoras solteiras. Elas abriam suas portas e passavam o dia todo conversando no pequeno espaço entre as escadas. Quando alguém subia ou descia, elas entravam em seus apartamentos. Assim que o barulho dos passos cessava, saiam.
No quarto andar vivia Agostinho, meu melhor amigo. Eu morava no primeiro. Diariamente nos encontrávamos, ora eu subindo até seu apartamento, ora ele descendo ao meu. Era comum brincarmos de ficar subindo e descendo, provocando o entra e sai das velhas; nos divertíamos muito com isso.
Um dia Agostinho teve a idéia de pregar uma peça nas mulheres. Vestiu-se de fantasma cobrindo-se com um lençol, e desceu as escadas correndo; gritando e abrindo os braços cobertos. Ao passar pelas senhoras horrorizadas, tropeçou num degrau e rolou escada abaixo, seus gritos ainda mais fortes e sentidos.
Agostinho e eu ainda ríamos de tudo quando ouvimos a sirene. E saímos à porta a tempo de ver os homens de branco subindo as escadas. Um ataque fulminante havia levado a senhora do 31.
Não se sabe ao certo o que aconteceu nos dias seguintes. Reza a lenda que Agostinho descia as escadas e encontrou a porta do 32 aberta. E que ele entrou por essa porta. Desde então nunca mais vi meu amigo. E nunca mais subi aquelas escadas.


originalmente publicado em mambo e o caos, em 11.06.2004





apartamento 32 [redux]
Prédio pequeno, sem elevador.
Terceiro andar; duas senhoras. Abriam as portas e passavam o dia conversando. Quando alguém subia ou descia, entravam. Assim que os passos cessavam, abriam novamente as portas.
Quarto andar; Agostinho, meu amigo. Eu no primeiro. Diariamente nos encontrávamos, alternando os apartamentos. Brincávamos de subir e descer, provocando entra e sai.
Aí Agostinho resolveu sacaneá-las. Vestiu-se de fantasma de lençol, desceu as escadas correndo, gritando, abrindo os braços. As senhoras horrorizadas, ele tropeçou escada abaixo, gritos ainda mais fortes.
Agostinho e eu ainda ríamos e ouvimos a sirene. Na porta a tempo de ver os homens subindo. O coração da do 31 pifou.
Não sei o que aconteceu nos dias seguintes. A lenda diz que Agostinho encontrou a porta do 32 aberta e entrou. Nunca mais o vi. Nunca mais subi aquelas escadas.


foto: Espinho, Portugal, junho de 2004



Escrito por ronas às 02h32

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24.12.2006

yololo bum bum




Sou um cara tão ridículo, mas tão ridículo, que pra você ter uma idéia, eu choro com música. Não é que eu choro só com Cartola ou Maysa, claro que me emociono com essas coisas, mas o fato é que eu choro até com solos de guitarra. Eu sei, já disse, é ridículo.
A primeira levada que me pegou de jeito na infância foi Hocus Pocus, da banda holandesa Focus. As primas mais velhas, hippies de corpo e alma, apresentaram a versão de estúdio, de 6 minutos e 40, e eu nunca mais esqueci.
Mas obviamente nunca tinha visto o guitarrista Jan Akkerman tocá-la ao vivo; até hoje, quando pesquisei e encontrei alguns vídeos no youtube. Esse aí do link é de uma apresentação para a televisão, em 1973. Infelizmente pouco aparece dos dedos de Akkerman, mas dá pra se divertir com o ensandecido vocalista, tecladista e flautista Thijs van Leer. De arrepiar.

Clique aqui para ver e ouvir Hocus Pocus


post originalmente publicado no blog atonal



Escrito por ronas às 23h28

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coisas que eu encontro pela frente




Pneu, chiquérrimo.



Escrito por ronas às 22h32

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coisas que NUNCA encontro pela frente




Sofia Coppola, pronta pra gente discutir cinema, tá?



Escrito por ronas às 22h31

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meio mundo


Era uma vez um português chamado Manoel. Português daqueles típicos, bem típicos, 1,65 de altura, bigode, barriga saliente. Usava o cabelo preto liso bem curto, no tradicional estilo boi lambeu. E usava a camisa aberta, o peito peludo aparente, a correntinha de ouro com Nossa Senhora de Fátima pendurada.
E era uma vez uma brasileira chamada Maria. Preta, 1,52, magrinha e cabelo pixaim, que ela tentava alisar todos os dias sem sucesso. Usava vestido de algodão florido, e no pescoço, o crucifixo sacodia dividindo a corrente com os pingentes com as figuras dos cinco filhos.

Manoel é contador, vive no subúrbio de Lisboa, e trabalha de segunda a sexta no centro da cidade. Acorda às 7:30 da manhã, toma café, banho, dá um beijo na mulher e na filha, e depois caminha 5 minutos até o ponto de ônibus.
Maria é empregada doméstica, vive no subúrbio de São Paulo e trabalha de segunda a sábado em uma casa na zona oeste. Acorda às 4:30, toma um banho rápido, se veste, prepara o café do marido desempregado, arruma as crianças para a escola, e caminha 20 minutos até a estação de trem.

Manoel entra na fila e espera. Às 8:12 em ponto o ônibus vira a esquina. Calmamente Manoel tira seu cartão de transporte do bolso, sobe os degraus, carimba o cartão, encontra um lugar na janela. Tira o caderno de esportes de dentro da pasta e começa a ler.
Maria chega ofegante à estação lotada. Já avisaram, todos os trens estão atrasados. O guichê para comprar o bilhete não tem a fila definida, todo mundo se acotovelando num empurra-empurra violento. Maria abre a carteira para contar as moedas, sofre um esbarrão e as moedas se espalham pelo chão.

Manoel baixa o jornal e observa a paisagem bucólica. Que raio de vida, ainda bem que a semana que vem estou com o carro novo. O motorista do ônibus liga o ar condicionado. Manoel volta à leitura.
Maria está engatinhando entre as pessoas, falta só 10 centavos para poder comprar a passagem. Será que a Dona Carmem vai ficar nervosa? É a quarta vez que chego atrasada esse mês. Lágrimas nos olhos.

Manoel está no escritório. Olha a bunda da senhora do café quando ela se abaixa para pegar a garrafa térmica. Ela o serve e continua seu trabalho. Manoel acende um cigarro. Que bunda maravilhosa!
Maria encontra a moeda e se levanta. Espremendo-se chega ao guichê. Começa um corre-corre. Olha o trem chegando! Olha o trem chegando! Maria consegue se pendurar na porta no último minuto. Passam a mão na bunda dela. O trem parte.

Hora do almoço, Manoel caminha pelas alamedas em direção ao restaurante onde vai todos os dias. Lá, pede o ensopado com batatas e uma cerveja. Na televisão do restaurante passa o jornal.
Maria respira o cheiro nauseante do trem lotado. Será que a Dona Carmem vai ficar nervosa? Uma criança entrega a oração de Santo Expedito para Maria mas ela não sabe ler.

Manoel olha os papéis sobre a mesa. Que vida infernal, quando eu tiver meu carro vai ser tudo diferente. Abre a capinha da calculadora e começa a digitar.
Maria já desceu do trem e se encontra no ônibus que a deixa 20 minutos da casa da patroa. Falta tão pouco, será que....

Manoel volta para casa. A filha o espera no portão. O jantar está na mesa. Sobremesa e café. Uma televisão vai cair bem
Maria foi despedida, está arrasada. Pensa no marido, nos filhos, nas prestações da televisão. Decide não dizer nada e procurar outro trabalho amanhã mesmo.

Manoel assiste um documentário sobre as praias brasileiras. O sol, os biquinis. Comenta com a mulher; esses brasileiros é que sabem viver.
Maria terminou de lavar a louça e sentou-se com a família no sofá. Na televisão um programa humorístico conta piadas de português. Maria ri e comenta com o marido; esses portugueses são muito burros mesmo.



Escrito por ronas às 21h09

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fim de ano [versão careta]




Por exemplo, eu já tenho idade para ser um cara do contra. Não que seja necessário ter idade para isso, mas eu já aceito isso bem e, às vezes, exijo de mim mesmo ser do contra.
Natal é uma coisa que desde muito cedo eu decidi que era chato. Tudo bem que tinha os presentes, mas nem a comida eu curtia. Lembro de ver a mesa lotada daqueles milhões de guloseimas natalinas e pedir; vó, eu quero arroz e um ovo frito.
Talvez por ter pais divorciados, logo eu aprendi que a reunião familiar do Natal era uma coisa meio forçada. E com o passar dos anos piorei e ignorei essa data dentro do possível. Talvez para manter um mínimo de tradição cultural [comercial?], mantive o espírito dando presentes apenas para as crianças, para namorada no momento, e para minha mãe, porque mãe é mãe e o resto todo mundo já sabe.
Os melhores natais que passei foram em festas pós-ceia, e, mais legais ainda, sozinho. Lembro de um Natal tipo suicida em que fui para Paranaguá de ônibus, fiquei num hotel e dormi às 9 da noite. No dia seguinte fui até a Ilha do Mel, debaixo de chuva torrencial, e fiquei andando pela praia vazia, fotografando e filosofando um monte de merda. Lembro dos natais passados na Inglaterra e depois na Holanda, num frio infernal, comendo bacalhau e creme de espinafre; nada diferente do meu dia-a-dia, já que por muito tempo todo dia comia bacalhau com creme de espinafre, porque era a coisa mais barata do supermercado. Depois aprendi a fazer panquecas e comia panquecas todos os dias, com bacalhau e creme de espinafre de recheio.

Com o tempo as pessoas que me cercavam aprenderam a conviver com esse meu jeito de me relacionar com o Natal, e pararam de me cobrar. Esse ano comemorei o Natal na casa da minha mãe há umas duas semanas atrás. E a Fernanda, minha namorada, já me liberou da função dessa noite. Com um pouco de sorte assistirei algum dvd com meus cigarros, um drinque, ou escrevo alguma coisa aqui. Amanhã, entretanto, com a Bia presente, estarei no almoço com as sacolas todas.

Para essa noite, na verdade tenho montes de coisas para organizar, como fazer um back-up no computador que prenuncia o fim de um ciclo, ou arrumar as estantes novas que comprei para os cds e livros. Mas o mais provável é mesmo aproveitar o silêncio, que é a grande sacada do cartão abaixo.
Depois de sexo, assistir futebol e fazer nada, a coisa que eu mais gosto é de ficar sozinho em silêncio.

Agora, é importante ressaltar que respeito quem curte o Natal. Me emociono com matérias da TV com famílias pobres que gastam tudo que têm numa ceia minimamente decente. E compro brinquedinhos extras que deixo no carro e distribuo para pedintes nos semáforos. E, independentemente do consumismo exarcebado, das roupas ridiculamente inadequadas do Papai Noel, e da hipocrisia dos cartões de boas festas dos bancos, e até mesmo por causa disso tudo, acho que o espírito natalino, ou melhor, que o espírito reinante nessa época do ano é propício para uma reflexão maior sobre o mundo em que vivemos.

Promessas e egoísmos à parte, mais uma vez é hora de pensar sobre o comportamento individual e a responsabilidade social que temos. Claro que vamos manter o humor acima de tudo, mas é importante nos manter conscientemente alertas para o que está à nossa volta, no cotidiano. O político em quem você vota, dar o pisca-pisca para virar, reciclar o lixo. Essas pequenas coisas fazem a diferença. E nos pequenos detalhes estão as soluções para uma vida melhor.
Portanto, seja você um do contra, um solitário, ou um fervoroso fã do Papai Noel, aproveite o momento dessa noite, contamine seus pensamentos com idéias positivas, que melhorem o mundo a sua volta, espalhe isso para as pessoas em volta. E procure manter isso tudo por mais tempo, o tempo todo.

E bom Natal, claro.


foto: Amsterdã, fevereiro de 2004



Escrito por ronas às 13h39

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20.12.2006

o melhor cartão de boas festas do mundo




Enviado pelo amigo Marco "Jovem", é a síntese do necessário, somente o necessário.



Escrito por ronas às 00h50

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trechos roubados 1


Quem aqui vem sabe da capacidade desse blogue em criar sessões infinitas. Hoje iniciaremos mais uma. São textos roubados dos diversos blogues da amiga Alexandra, textos desconhecidos do público brasileiro e que na verdade servem pra ocupar aqui o espaço em momentos de falta de inspiração, falta de tempo, ou, mais freqüentemente, preguiça.
Os textos serão pescados aleatoriamente, na versão original, em português de Portugal, e com a dislexia característica da moça. Aí vai.



prezada mentira

há quem diga que a linguagem, o pensamento lógico-dedutivo e as luvas de borracha para lavar a louça são as características mais distintivas do homem.
mentira.
na verdade, a mentira é que nos faz distintos de toda a restante criação, admitindo-se, no entanto , alguma responsabilidade também às luvas de borracha.
o que mais gosto na vida é de mentiras, engodos , ilusões, confabulações. haveria arte, amor, relaçõs sociais ou auto -estima sem recorrer ao artificioso pressuposto da mentira? não creio.
há igualmente todo um darwinismo social que pode ser lido à luz da mentira e da sua força ilocutória.

a linguagem existe para ser desmentida, pois é isso que subjaz à arbitriedade do signo. no entanto, a estabilidade sígnica existe para que possa interpor-se o curso da mentira , que para os estruturalistas nada mais seria se não a infinitização optimizada de todas as possibilidades referenciais dos signos.

aprendemos a mentir desde cedo e,logo aí, se inicia o processo de recalcamento da mesma.
contudo , fazem-nos acreditar no pai natal, no coelhinho da páscoa e ameaçam-nos com homens- do -saco e outras monstruosidades quejandas com o único fito de deglutirmos algumas calorias mais ou permanecermos quietos e serenos numa qualquer manifestação de mentira pública.

o processo psíquico tem como artifício basilar uma mentira arqueológica: o recalcamento . e ainda bem que assim é, acho que o recalcamento é muito útil e deveria até ser mais exercitado. de facto , o que faz falta é uma inversão da ortodoxia psicanalítica. o psicanalista é , na verdade, um fiel cruzado contra a mentira.
o que o ser humano verdadeiramente necessita é mentir tão perfeitamente que determinado processos passem, simplesmente, a não figurar no seu eu psíquico , sendo assim desnecessária a intervenção de clínicos destinados a clarificar nossas habilidosas mentiras.
esse é aliás o patamar de máxima perfectibilidade de qualquer mentira: quando ela se torna verdade.



originalmente publicado por Ale em Torneiras de Freud, em 25.12.2004



Escrito por ronas às 19h11

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acorda mundo


Em 1990 foi assinado um acordo entre os países de língua portuguesa visando padronizar a ortografia. Por motivos mil, entre eles questões administrativas brasileiras, até hoje não se conseguiu implementar tal padronização. O assunto voltou à pauta recentemente.

Em príncipio, nesse acordo vão prevalecer as regras brasileiras, em teoria mais "dinâmicas". Por exemplo, em Portugal se escreve acção com c mudo. Aliás, isso em si já daria uma certa confusão, nada ortográfica, e sim sensitiva, porque em Portugal se diz que a letra é surda, e não muda. Imagina só o diálogo entre essas letras.
Por outro lado, em facto, o português diz o c. Ou seja, tudo pra fuder de vez, aliás, foder, porque em Portugal é com o. Daí eu explico o tal "dinamismo" linguístico pra minha amiga portuguesa: aqui no Brasil foder só na cama; fuder é genérico, tá no cinema, nas escolas. Só não pode dizer pra professora, então fuda-se, porque ela te coloca de recuperação.

De qualquer forma essa reforma peca pela total falta de visão do futuro. Qualquer débil mental sabe que o "brasileiro" foi contaminado pela internet e naum eh o q jah foi um dia. Por exemplo, uma das regras vai abolir a trema [em Portugal, o trema]. Fala sério, você conhece alguém que usa trema? Além disso, o alfabeto passará a ter 26 letras, pois incluirá k, y e w. Alguém aqui gargalha sem kkkk, escreve ianque ou uísque?

Os intelectuais portugueses estão revoltados com o futuro ortográfico por vir. Eu também fiquei. Sinceramente acho inacreditável que no mundo de hoje, no meio do caos reinante, ainda tenha gente pensando nesse tipo de coisa. E com certeza vão gastar dinheiro nisso, com dicionários e tals, e alguém ainda tira uma fatia do bolo. Porque num país onde políticos votam e aprovam o próprio aumento salarial, e metade da população não sabe escrever, quem ganha com a mudança das regras ortográficas?

Quer saber, fuda-se, vou ficar de recuperação.



Aqui nesse site as mudanças todas.



Escrito por ronas às 18h37

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15.12.2006

oferecimento: deliriol




É a casa do chapéu? É a casa do caralho? Não, em coro respondemos! E adivinhe quem mora lá.




Do outro lado da rua um dinossauro se aproxima enquanto o bom velhinho procura espreitar as panes da Ana.



Escrito por ronas às 20h52

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14.12.2006

coisas que eu encontro e que ninguém acredita




Abandonado numa praça do Sumaré, o ex-astro da música brega, o Fuscão Preto, que fez bombar bailinhos de porteiros e empregadas no início dos anos 80.
Para você ter uma idéia de como esse cara foi importante, em 1983 ele foi o protagonista de um filme com a participação de nada mais, nada menos, que a gloriosa - na época - Xuxa Galhardo.




Mas como já disse Chico Buarque, dEUS é um cara gozador, adora brincadeira.
Então, não muito longe de onde encontrei o ilustre acabado, dei de cara também com, lustrado e gaboso, seu primo Gastão, que acabara de voltar da Alemanha, comprado por um colecionador.





Pra quem não tem a mínima idéia do que estou falando, siga a bolinha e declame Fuscão Preto pra mamãe. Yeats my ass

Fuscão Preto
Teodoro e Sampaio

Me disseram que ela foi vista com outro
Num fuscão preto pela cidade a rodar
Bem vestida igual à dama da noite
Cheirando a álcool e fumando sem parar

Meu Deus do céu, diga que isso é mentira
Se for verdade esclareça por favor
Daí a pouco eu mesmo vi o fuscão
E os dois juntos se desmanchando em amor

Fuscão preto você é feito de aço
Fez o meu peito em pedaços
Também aprendeu a matar
Fuscão preto com o seu ronco maldito
Meu castelo tão bonito
Você fez desmoronar



Escrito por ronas às 16h30

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o começo do fim da picada [4 e 1/2 sem tirar]


1. Senil senhor que é, o filósofo Gilles Deleuze foi à imprensa recentemente me acusar de plágio de um título de sua obra. Como eu não quero encrenca com o povo do asilo, mudei o nome da série sobre o fim. Deleuze fdp.



foto: Associated Press

2. No New York Times de ontem saiu um texto sobre uma campanha contra a prostituição [re?] lançada pelas autoridades da cidade de Shenzhen, no sul da China. Basicamente, prostitutas e cafetões foram humilhados em praça pública antes de ir para a prisão. E sem direito a julgamento.
Eu, que brinco aqui com certas coisas, fico até constrangido. Alguém aí acha que é preciso continuar a "explicar" o fim de tudo?




3. Enquanto isso, Julia da Londra, a conca, rebate com esse folheto distribuido pela polícia em frente a supostos inferninhos da capital inglesa. Ao que parece, alguns bares dão a entender que em seus interiores ocorrem sessões de strip-tease e outros "eventos" sexuais, e cobram entrada por isso. No recinto, entretanto, isso não ocorre, e, dependendo das condições descritas na porta, você pode ser abordado por uma companheira, quer você queira ou não, e ser obviamente obrigado a pagar por isso.
O serial killer que vem aterrorizando prostitutas em Suffolk, sudeste da Inglaterra, deve ser um ex-freguês.
O bilhete da polícia alerta a população sobre esses abusos e informa que você deve se informar antes de adentrar tal espelunca.

4. Por falar em prostitutas, aqui uma piada de blogueiro. Caco, quem tem post aí atrás?


Pronto, passou, passou.



Escrito por ronas às 15h40

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12.12.2006

o começo do fim de tudo [parte 2 - trabalho]


Apesar do que muitos pensam, o maior dilema do ser humano [que aqui chamaremos apenas de mano] não está entre casar ou comprar uma bicicleta. O maior dilema do mano é escolher uma profissão nobre e que o deixe milionário. Não é assim que funciona, ok? O mano tem que escolher uma coisa ou outra. Só manos cafajestes e cafajestas ficam ricos. Manos que trabalham decididamente não saem do lugar em termos financeiros, e conseqüentemente não saem do lugar at all.

Desde tempos remotos o mano acha que uma boa profissão é ser médico. E ele está certo. Um médico decide se um paciente deve ou não viver. Ele decide se o mano deve ter uma úlcera pra sempre, se aquela dor no braço esquerdo não é nada, e decide se uma picada de pernilongo deve ou não ser fatal. E os manos que não são médicos pagam, às vezes com a vida, sempre os olhos da cara, por uma opinião do dotô. Já um médico, este só consulta outro médico se for pra saber em que tipo de aplicação deve colocar as "sobras" do mês. Só médicos têm sobras no mês. Portanto, se o caro leitor não é médico, me desculpe, mas o mano aí é um caso perdido.

A profissão mais popular entre os garotos até 45 anos é ser parte do Corpo de Bombeiros. Entretanto sabemos que meninos são estúpidos e vamos ignorar esse dado. Garotas, ao contrário, evoluem mais rapidamente, são mais inteligentes, e prova disso é que 100% das menininhas quer ser princesa quando crescer. O que elas não sabem é que pra ser princesa elas primeiro precisam ser putas. Por outro lado, vamos combinar que se o seu pai deixar você ser puta o resto é muito fácil. E vamos combinar que apenas 1% das menininhas vira princesa, enquanto 99% vira puta de qualquer jeito.
Ser puta dá menos trabalho e dá 700 mil vezes mais dinheiro do que ser bombeiro.

A maior prova do dilema que cerca o fator trabalho na vida do mano é que se o mano tem um emprego ele é um cara feliz e sortudo, e ao mesmo tempo, um cara infeliz e azarado. O inverso também é verdade. Caso você seja um mano desempregado, tenha certeza que você é feliz/sortudo/infeliz/azarado. A única saída é ficar rico, daí você tem que casar com uma pessoa rica. E ser um mano cafajeste.

As relações humanas dentro do universo do trabalho também são bastante complexas, tanto que fomos obrigados a criar um departamento que cuida especificamente dessa questão. O RH determina as condições nas quais o mano tem que se encaixar pra poder trabalhar numa empresa. Determina quem você pode ou não pode paquerar, e quem você deve comer para subir de cargo. Mas o item de maior importância no RH é o ticket restaurante. Se um dia o seu não chegar é porque você é carta fora do baralho.

Numa cidade como São Paulo, o mercado de trabalho indica duas "soluções" distintas para o problema do mercado de trabalho. Aliás, esse é mais um dilema do fator trabalho. Só o trabalho resolve a questão do trabalho. Podem vir 300 novos governos com idéias revolucionárias, mas se não há trabalho, não há trabalho.
Voltando à situação de São Paulo: aqui, ou o mano é empregado, ou o mano é patrão. O meio termo é para autistas e artistas, apesar desses últimos, em tempos recentes, se encaixarem na mesma categoria dos gerentes de marketing, caso muito específico que será explanado em outro capítulo, noutra oportunidade.

O empregado é um mano que trabalha muito, ganha pouco, e se diverte quando dá. O mano patrão trabalha pouco, ganha muito, e se diverte até quando não dá. Ambos são infelizes guardadas as devidas proporções. Ambos, após um longo dia de trabalho, só pensam em duas coisas, afogar as mágoas ou afogar o ganso. A diferença básica é que um afoga as mágoas com pinga e o outro com uísque. E um afoga o ganso - de novo - com a patroa, enquanto o outro vai a um puteiro. Ao contrário da patroa, as mulheres do patrão estão sempre disponíveis.

Em resumo, a maior praga da sociedade contemporânea é o trabalho. Alguns manos podem até dizer que o problema é o capitalismo, a sociedade de consumo, o dinheiro. Porém pesquisas indicam que 99% dos milionários não estão nem aí com o dinheiro. O 1% restante morreu pouco antes de responder à pesquisa. Assim sendo, a única fraqueza do rico é que ele também morre. Entretanto, sabe-se que dessa fraqueza nasce o famoso "tô cagando e andando", que é a essência do mano cafajeste, portanto rico. Se algum dia você chegar à conclusão de que sua única certeza é a morte, aí você tem duas opções, ou você assume o cafa que há em você, caga pros outros e fica rico, ou você se mata pra adiantar um processo inevitável.



Escrito por ronas às 00h55

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10.12.2006

o começo do fim de tudo [parte I - sexo]


Pouco abaixo resumi fatores históricos e sociais que permitiram uma maior compreensão da conclusão de Lacan sobre a não-existência da mulher. Volto ao complexo assunto a fim de dar início a uma série de textos com minhas teorias a respeito do fim do mundo.

Para entender um dos motivos que me levaram a escrever o post "o fim da mulher", sugiro a leitura da sinopse do livro O que quer uma mulher?, do psicanalista francês Serge André. Caso você fique muito interessado, leia o livro em si, mas adianto, eu li, para depois de 300 páginas chegar à conclusão que a única coisa que a mulher realmente quer é gritar. Grande novidade.

Ao afirmar que "a mulher não existe", Lacan nos leva a uma descoberta avassaladora concluindo que "não há relação sexual". Ok, assim fica fácil falar em fim de tudo. Mas resta a pergunta: se não há mulher, com o que estamos transando?? E mais, se não há relação sexual, não estamos transando, então O QUE ESTAMOS FAZENDO???



Escrito por ronas às 00h51

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coisas que eu encontro e que ninguém acredita



Depois de enfrentar grupos de extermínio [alguns posts abaixo], a classe dos papais Noel ainda tem que se virar para recuperar seu espaço e se destacar no mercado de trabalho. Aqui um exemplo; Papai Noel fazendo um bico de saxofonista numa loja da Duque de Caxias. É ou não é alarmante?



Escrito por ronas às 11h06

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08.12.2006

o fim da mulher


Lacan num dado momento afirmou que a mulher não existia.
É preciso mais que quatro dry martinis pra entender como ele chega a essa conclusão, e por isso vou traduzir a minha versão dos fatos com apenas duas cervejas e um x-salada.
Como estamos quase carecas de saber, em 1960, quando o mundo foi inventado, a mulher já vagava por aí; gerando herdeiros, cuidando da cozinha, trepando com o leiteiro e assistindo a novela. De lá pra cá a única coisa que não mudou foi a trepada com o leiteiro, apesar do leiteiro em si ter mudado, e muito. Mas vamos tratar das mudanças do leiteiro outro dia; hoje a questão é outra, a questão é: como acabou a mulher?

Nos anos 60 os pais da minha geração se preparavam psicologicamente para a liberdade total. LSD, orgias e socialismo eram as pautas do dia e da noite, enquanto apostavam seus centavos em jogos de buraco regados a uísque nacional. Aí um imbecil qualquer teve a infeliz idéia de propor a revolução sexual feminina. O resto da história todo mundo sabe, o LSD nos levou ao Vale do Silício, as orgias à AIDS, o socialismo à Terceira Via, e a revolução sexual à impotência.
Na época diziam, deixem a mulher trabalhar, deixem-as votar, ordenavam, deixem-nas independentes, gritavam. E deu no que deu. As mulheres viraram monstros competitivos, deixaram de cuidar da cozinha, exigiram babás. E o pior, começaram dia-a-dia a se tornar quase homens: bebiam, peidavam, e até arriscaram gostar de futebol - tirando desse gostar a polêmica sobre a lei do impedimento, que até hoje provoca calafrios em qualquer DR.
Os homens, por sua vez, seres sensíveis que permitiram essas mudanças, ficaram acuados. Caíram as máscaras e a fauna dividiu-se em três: os radicais selvagens no ataque, os libertários egoístas na defensiva, e os gays, pra quem tanto faz o que a mulher quer ou deixa de querer. O primeiro sinal do boom dos gays surgiu nessa época. Os radicais selvagens acabaram por explodir o WTC, e os libertários esgoístas se profissionalizaram como humoristas.

Ainda nos anos 60, a mulher passou a conquistar o mercado de trabalho, deixando assim milhares e milhares de crianças sob a tutela de empregadas domésticas mal treinadas para a difícil tarefa de padecer no paraíso. Essas crianças hoje escrevem em blogues ou são gerentes de marketing, o que no final das contas é a mesma coisa. E aquelas empregadas, coitadas, hoje estão mortas; porém, não sabemos ao certo se isso tem alguma relação com cuidar das crianças, com aturar a patroa, ou se foi só por causa do pão francês com excesso de brometo de sódio.
Desnecessário dizer que a maioria dessas crianças nasceu de sexo feminino, portanto não blogueiam ou marketeiam, e estão por aí, trabalhando de verdade, sustentando famílias - divorciadas, é claro - ou bancando lúxurias para leiteiros, entregadores de pizza e o Ricardo, aquele cara simpático que vem conectar o cabo da tv toda semana.
E de repente aqueles seres que tiravam o volume "extra" dos seios passaram a inflá-los extra large. De repente as coxas suculentas foram transformadas em gambitos etíopes. E de repente você chega num bar e não sabe se aquela gata é uma siamesa, uma vira-lata, ou um bicho transgênico de laboratório cirúrgico.

Com o advento da música country, da loira burra, das pick-ups pretas, dos adesivos da OAB, da Vila Olímpia, a mulher passou a assumir a face mais terrível do homem; a mulher deixou de ser apenas uma perua para se converter numa perua playboy. A vantagem de ter uma namorada perua playboy é que ela não volta do mecânico dizendo que gastou uma fortuna sem saber em que. A desvantagem é que mesmo sabendo em que, ela continua gastando uma fortuna.

O melhor amigo da mulher contemporânea não é um homem, não é um gay, não é um poodle; é o cartão de crédito. E quanto mais amigos dessa estirpe elas tiverem, mais felizes elas serão. As mulheres mais sofisticadas têm um cartão para cada dia da semana, com o pagamento estrategicamente marcado, combinando com datas simbólicas como aniversário de casamento ou dia da mesada do pai. A mulher comum, possuidora de apenas dois cartões de crédito, deixou a simples tarefa de lavar, passar, fazer o jantar, cuidar dos filhos, ir ao supermercado e assistir ER na televisão. A mulher comum faz isso e ainda trabalha das 9 às 6.

Somados esses fatores, e ainda outros que transformariam este post na Barsa, a mulher que vemos nos dias de hoje é um ser amargo, reclamão, chorão, resmungão, profissionalmente em crise, sexualmente acabado. É uma situação degradante que nos faz refletir: o que seria da mulher se ela existisse?



Escrito por ronas às 19h40

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07.12.2006

mais um clássico da youtubelândia



Donald Rumsfeld, ex-secretário de defesa norte-americano, demonstra suas habilidades durante as conferências de imprensa. Clique aqui.



Escrito por ronas às 01h58

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06.12.2006

auto-ajuda



Chega uma hora na vida em que você descobre que seu filho não te aguenta mais. Aí você apela pra sua mulher e é a mesma coisa, ela também não te suporta. Você telefona pro seu melhor amigo pra pedir socorro e ele diz que hoje não, tá passando um filme ótimo na TV. Percebe-se então que você também não tem melhor amiga pra pedir socorro. Aí você tenta seu irmão, seu cachorro, seu vizinho, seu discman. Ninguém quer saber.
Só te resta olhar no espelho, mas há muito tempo aquele que está ali não é mais você.



Escrito por ronas às 01h56

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03.12.2006

24 horas na vida de Gustolino



Gustolino Borg Hendrix Travolta era um cara normal. Gerente de Marketing, dia sim, dia não, desfilava seus dotes dancísticos nas mais badaladas casas noturnas da Vila Olímpia.





Com o sol raiando Gustolino colocava seus óculos de dormir - roubados de um avião - e descansava para mais um dia de labuta.





No trabalho, sob a supervisão de sua musa, Gustolino enfrentava com sorrisos a dura tarefa de mandar e desmandar.





E na hora do almoço, Gustolino comia a banana que mamãe colocava na lancheira enquanto trocava idéias com colegas de repartição.





Naquele dia, Gustolino viu o anúncio de um produto do qual ele fizera uma promoção "sucesso de vendas". E comprou o produto.





Depois de voar para casa em seu veloz automóvel, Gustolino tomou seu tradicional banho das 9, regado a cremes para a pele. Gustolino experimentou "seu" xampú se preparando para mais uma balada.





O resultado não foi o que Gustolino esperava, mas como homem de marketing, não podia deixar a peteca cair, e aprovou o novo visual. Gustolino Borg Hendrix Travolta continua sendo um cara normal, só que agora gosta de pagode e quer tentar o futebol.



Escrito por ronas às 16h15

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01.12.2006

terminator



Essa é pro Caco, com quem comentei recentemente e não conhecia. É velha, mas combina com dezembro.
Clique aqui para assistir.



Escrito por ronas às 19h42

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coisas que me enviam que não sei



Essa empresa é foda!



Enviada pelo Eduzinho, que frequenta umas avenidas que sei lá.

Escrito por ronas às 12h23

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coisas que me enviam que não sei



A Julia, minha concunhada da Londra, leitora assídua, vai nos manter a par de tudo que de mais interessante acontecer no circuito intelectual da terra da rainha.
Esse poster de metrô, por exemplo, mostra qual vai ser a tendência na moda para bichos de estimação no inverno 2006-2007. Capitalistas de berço, os ingleses sabem o potencial propagandístico de seus pets, e partem pras cabeças em modelos arrojados.
Ao que parece entretanto, graças ao projeto de globalização tupiniquim, tais visuais, segundo alguns leitores mais antenados, já circulam sem dó em festivais como Nokia Trends e Skol Beats.
Ringoberto McLeite, gerente de marketing e consultor de moda de festivais desse porte, confirma e afirma: o que serve para cachorros ingleses, serve para mudernos brasileiros.



PS para Conca: Ju, o que uma dama do norte como você foi fazer em Clapham South?

Escrito por ronas às 11h20

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